Netanyahu vence disputa eleitoral em Israel, mas formação de governo segue indefinida

As eleições em Israel deixaram em aberto a formação do próximo governo. O bloco liderado por Benjamin Netanyahu ficou com 53 cadeiras; os partidos de oposição somaram 48, e os partidos árabes obtiveram 19. Netanyahu foi o mais votado entre as legendas, mas ainda não assegurou a permanência no poder.
A apresentação oficial dos resultados está prevista para esta quarta-feira, 4, e a posse dos 120 deputados do novo Knesset, para o dia 10. O presidente Isaac Herzog ouvirá os representantes dos partidos para definir quem terá a primeira chance de formar maioria. O escolhido terá 28 dias, prorrogáveis por até 14, para negociar a coalizão. Se as tentativas fracassarem, o país poderá convocar novas eleições.
Netanyahu precisa de oito cadeiras para alcançar a maioria. Seu principal adversário é Gadi Eisenkot, do Yashar, partido que conquistou 21 cadeiras. A tarefa de Eisenkot é mais difícil pela heterogeneidade dos partidos contrários a Netanyahu, que incluem direita, centro, esquerda e representantes árabes com divergências sobre segurança, religião, economia e o conflito palestino-israelense.
As 19 cadeiras dos partidos árabes são recorde, acima das 15 de 2020. O peso numérico, porém, esbarra em obstáculos políticos: legendas judaicas contrárias a Netanyahu rejeitam alianças com representantes árabes. Os opositores precisam conquistar ao menos mais 13 parlamentares. Quatro cenários permanecem: permanência de Netanyahu com novas alianças, governo liderado por Eisenkot, acordo de união nacional ou novas eleições.
A aliança de Netanyahu inclui Likud (27), Judaísmo Unido da Torá (7), Otzma Yehudit (7), Shas (6) e Sionismo Religioso (6). A oposição de Eisenkot reúne Yashar (21), B'Yachad (12), Democratas (8) e Yisrael Beiteinu (7).
Pelo artigo 30 da Lei Básica do Governo, o governo atual continua em funções até a posse do sucessor. A estrutura liderada por Netanyahu segue operando, inclusive em emergências, dentro dos limites jurídicos de um governo de transição.
A fragmentação política não é nova. Nos últimos 15 anos, Israel realizou oito eleições, incluindo cinco entre 2019 e 2022. A legislatura iniciada em 2022 completou seu mandato agora em 2026. O país já teve governos de união nacional e emergência em diferentes períodos, e em 2023, após os ataques de 7 de outubro, Benny Gantz participou de um gabinete de guerra.
A coalizão que governou após a saída de Netanyahu, em 2021, durou pouco mais de um ano. Naftali Bennett e Yair Lapid se alternaram no cargo; a queda envolveu divergências internas e a recusa de deputados em renovar regulamentos para colonos na Cisjordânia. A divisão crescente desde antes de 7 de outubro aumentou a pressão sobre Netanyahu por uma comissão independente para investigar as falhas que permitiram os ataques.
Principais informações
- Bloco de Netanyahu obteve 53 cadeiras; oposição somou 48 e partidos árabes, 19.
- Herzog definirá quem terá a primeira chance de formar coalizão, com prazo inicial de 28 dias.
- Netanyahu precisa de oito cadeiras; Eisenkot enfrenta divergências entre os opositores.
- Partidos árabes alcançaram recorde de 19 cadeiras, mas rejeição a alianças dificulta alternativa.
- Artigo 30 mantém o governo atual em funções até a posse do sucessor.

