MPPI apura contrato de R$ 11 milhões da Tron com a Educação do Piauí; Whindersson nega ser sócio

O Ministério Público do Piauí (MPPI) abriu inquérito civil para apurar possíveis irregularidades em um contrato de R$ 11 milhões da Tron Atividades de Apoio à Educação Ltda. com a Secretaria de Educação do estado. A empresa é ligada ao humorista Whindersson Nunes, e a defesa dele nega que ele seja sócio. A apuração examina a contratação para fornecer materiais e cursos de robótica a escolas públicas.
O acordo foi fechado sem licitação e é custeado com recursos federais repassados ao Piauí pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. A informação foi divulgada inicialmente pelo portal Metrópoles. A investigação começou após o Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) receber uma representação sobre suposto favorecimento da Tron; a Promotoria de Justiça de Teresina pediu documentos à Secretaria de Educação e ao tribunal.
Uma denúncia expedida em 16 de setembro de 2026 vincula o humorista à empresa, conforme trecho do inquérito. O contrato foi assinado em 19 de agosto de 2025, com valor inicial de R$ 4,99 milhões. Aditivos superiores a R$ 6 milhões elevaram o total a R$ 11 milhões, com vigência prevista até agosto de 2027. A contratação previa 15 mil kits de robótica e capacitação de professores em 100 escolas estaduais, para uso pedagógico no ensino médio.
Em nota, a Secretaria de Educação do Piauí (Seduc-PI) afirmou que a contratação da Tron atende necessidades pedagógicas da rede estadual, sobretudo na expansão das escolas de tempo integral e em ações de tecnologia, programação e ensino técnico. A pasta disse que contratos e pagamentos seguem procedimentos administrativos e trâmites legais, com formalização, fiscalização e comprovação, e que prestará esclarecimentos e documentos ao MPPI.
A defesa de Whindersson, representada pelo advogado Caio Sanas, afirma que ele não integra o quadro societário da empresa alvo do inquérito. Sua participação é restrita à empresa proprietária do método, licenciado a outras empresas, incluindo a investigada. Ele também não faz parte das empresas de distribuição e comercialização do método nem exerce funções administrativas, operacionais ou de gestão. Os advogados dizem acompanhar o caso e ter documentação para esclarecer as autoridades.
A matriz e a empresa que firmou o acordo com o governo estadual têm como proprietário o empresário Gildário Dias Lima. Em 2023, em conversa com o UOL, Whindersson chamou Gildário de sócio e disse ter conhecido Gildário em 2021, quando lhe foi apresentado o projeto, que envolvia ciência, tecnologia e educação e se conectava à sua nova fase, incluindo a intenção de cursar física aplicada.
Principais informações
- MPPI abriu inquérito civil sobre contrato de R$ 11 milhões da Tron com a Secretaria de Educação do Piauí.
- O acordo, sem licitação e com recursos federais do FNDE, previa 15 mil kits de robótica e capacitação em 100 escolas.
- TCE-PI recebeu representação sobre suposto favorecimento da Tron; Promotoria de Teresina pediu documentos.
- Whindersson Nunes nega ser sócio da empresa investigada; defesa diz que sua participação é restrita à proprietária do método.
- Seduc-PI afirma que a contratação atende necessidades pedagógicas e segue procedimentos legais; prestará esclarecimentos ao MPPI.

