MP aponta Deolane Bezerra como ‘verdadeiro caixa do PCC’ em pedido de manutenção de prisão

MP aponta Deolane Bezerra como 'verdadeiro caixa do PCC' em pedido de manutenção de prisão

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) classificou a influenciadora e advogada Deolane Bezerra como a principal integrante do braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e pediu à Justiça a manutenção da prisão preventiva dela e dos demais investigados na Operação Vérnix. A solicitação foi encaminhada na quinta-feira (20/8).

No documento, Deolane é descrita como o 'verdadeiro caixa da organização criminosa'. Segundo os investigadores, ela atuava diretamente na ocultação e dissimulação de valores de origem ilícita, por meio de contas vinculadas a ela e às suas empresas, com posterior conversão dos recursos em bens de elevado valor.

A análise financeira apontou dezenas de transferências fracionadas destinadas às contas da influenciadora. Entre 2018 e 2021, os depósitos suspeitos somaram valores próximos a R$ 700 mil. A Justiça já havia determinado, à época da prisão, o bloqueio de aproximadamente R$ 27 milhões em contas vinculadas a ela e a apreensão de 39 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões.

O MPSP detalha que a organização criminosa era dividida em três núcleos. O núcleo decisório era formado por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção, e seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior. O núcleo operacional, por Everton de Sousa, conhecido como 'Player', e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola. Já o núcleo financeiro era integrado por Deolane Bezerra e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também sobrinho do líder.

No pedido apresentado, o Gaeco sustentou que permanecem os requisitos para a prisão preventiva de todos os investigados, especialmente para garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal. Além de Deolane, o Ministério Público defendeu que continuem presos Marcola, defendido pelo advogado Bruno Ferullo, e seus familiares envolvidos no esquema.

Deolane foi presa em 21 de maio, em Alphaville, na Grande São Paulo, durante a Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. A ação também teve como alvos Marcola, seu irmão Alejandro Camacho e dois sobrinhos: Paloma Sanches e Leonardo Herbas Camacho.

As investigações revelam ainda um esquema sofisticado de ocultação de patrimônio, com uso de empresas e terceiros para movimentar recursos atribuídos à facção. Uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, teria sido empregada para lavar dinheiro da família de Marcola.

Principais informações

  • MPSP descreve Deolane Bezerra como 'verdadeiro caixa do PCC' em documento judicial.
  • Pedido pede a manutenção da prisão preventiva dos investigados na Operação Vérnix.
  • Influenciadora usava contas e empresas para lavar dinheiro, segundo a investigação.
  • Justiça já havia bloqueado R$ 27 milhões e apreendido 39 veículos de luxo.
  • Operação também mirou Marcola e familiares; organização tinha três núcleos.

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