Ministros pressionam Fachin por sessão fechada em julgamento sobre Moraes no STF

A análise do pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes está marcada para a próxima terça-feira (15) no Supremo Tribunal Federal e tem provocado movimentação intensa nos bastidores da Corte. Um grupo de ministros pressiona diretamente o presidente do STF, Edson Fachin, para que a sessão seja realizada a portas fechadas, sem transmissão televisiva.
Entre os que defendem a medida, o receio central é de que a cobertura ao vivo amplie a pressão da opinião pública sobre os magistrados e favoreça a abertura de investigação. Os ministros Kassio Nunes Marques e Carmen Lúcia são citados internamente como os mais suscetíveis a esse tipo de influência.
Há ainda a preocupação de evitar a exposição pública de eventuais confrontos durante o plenário, em especial entre Moraes e André Mendonça, cuja relação é considerada potencialmente conflituosa nesse contexto.
Fachin, no entanto, ainda não decidiu sobre o formato da sessão. O presidente do STF teria sinalizado a interlocutores que optar pelo sigilo pode produzir efeito contrário ao pretendido, ao passar à sociedade a impressão de que a Corte não está comprometida com a transparência.
O cenário da votação permanece indefinido. A expectativa é de que o ministro Dias Toffoli se declare impedido, uma vez que ele próprio é apontado como suspeito de envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, figura central nas suspeitas que recaem sobre Moraes.
Circula também nos corredores do tribunal a possibilidade de que algum ministro peça vista do processo, o que empurraria a análise para depois do período eleitoral deste ano. O movimento seria semelhante ao adotado por Gilmar Mendes na discussão sobre o afastamento do delegado-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Na segunda-feira (14), véspera da sessão, Moraes planeja fazer um pronunciamento em sua própria defesa. A intenção é rebater as suspeitas e reafirmar publicamente que nunca manteve envolvimento pessoal com Vorcaro.
Principais informações
- O STF analisa na terça-feira (15) o pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
- Ministros pressionam Edson Fachin para que a sessão seja fechada e sem transmissão televisiva.
- Nunes Marques e Carmen Lúcia são apontados internamente como suscetíveis à opinião pública.
- Fachin ainda não decidiu e avalia que o sigilo pode sugerir falta de transparência.
- Há expectativa de impedimento de Dias Toffoli e possibilidade de pedido de vista adiar o caso.

