Midterms nos EUA renovam Câmara e Senado e redesenham a relação com Trump

A eleição de meio de mandato nos Estados Unidos, realizada na terça-feira, 3, renovou as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e colocou em disputa 35 das 100 vagas do Senado. O novo equilíbrio de forças no Legislativo define parte da relação entre o presidente Donald Trump e o Congresso e tende a influenciar a disputa pela Casa Branca em 2028.
Das 35 cadeiras senatoriais em jogo, 33 correspondem à renovação regular e duas a eleições especiais, realizadas em Ohio e na Flórida. Deputados são eleitos para mandatos de dois anos, enquanto senadores permanecem seis anos no cargo, com renovação de aproximadamente um terço da Casa a cada dois anos.
A composição do Legislativo determina parte da capacidade do presidente de aprovar leis, negociar o orçamento federal e implementar propostas de governo. O controle democrata de uma ou das duas Casas pode impor obstáculos à agenda republicana e ampliar a fiscalização sobre a administração Trump.
Na Câmara, uma maioria democrata pode bloquear projetos apresentados pelos republicanos, convocar autoridades para prestar esclarecimentos e abrir investigações parlamentares. No Senado, o partido também pode dificultar a confirmação de indicados pelo presidente para cargos federais, incluindo integrantes do Judiciário e do primeiro escalão do governo.
A mudança no equilíbrio de forças, porém, não significa a perda da capacidade de governar. Trump mantém o poder de veto sobre projetos aprovados pelo Congresso e pode recorrer a decretos executivos dentro dos limites da legislação federal, medidas sujeitas a revisão judicial e que podem ser modificadas ou revogadas por administrações posteriores.
Historicamente, o partido do presidente costuma perder cadeiras na Câmara nas eleições de meio de mandato. Segundo levantamento da Brookings Institution, isso ocorreu em 20 das 22 eleições realizadas entre 1938 e 2022. As exceções foram 1998, quando os democratas conquistaram cinco cadeiras adicionais no governo Bill Clinton, e 2002, quando os republicanos ampliaram a bancada durante o governo George W. Bush, em cenário marcado pelos atentados de 11 de setembro de 2001.
A popularidade presidencial costuma influenciar a dimensão das perdas: índices mais baixos de aprovação tendem a dificultar a preservação da representação partidária no Congresso. Em 2010, no primeiro mandato de Barack Obama, os democratas perderam 63 cadeiras na Câmara. Em 2018, no primeiro governo Trump, os republicanos perderam 41 assentos e o controle da Casa.
No Senado, a maioria é fundamental para definir a pauta legislativa e conduzir processos de confirmação de autoridades, mas a aprovação de parte dos projetos exige apoio mais amplo. Pela regra do filibuster, que permite prolongar debates, grande parte das propostas precisa de 60 votos para que a discussão seja encerrada e avance à votação. As indicações presidenciais para cargos federais seguem regras diferentes e, em geral, podem ser confirmadas por maioria simples. O Congresso também influencia os gastos federais, e divergências com a Casa Branca podem dificultar a aprovação de medidas orçamentárias e provocar impasses sobre o financiamento de órgãos públicos.
O resultado das midterms pode ainda influenciar a reorganização dos partidos para a eleição presidencial de 2028. Entre os democratas, o desempenho nas disputas estaduais e legislativas pode ampliar a projeção nacional de governadores, senadores e outras lideranças interessadas na candidatura. Governadores eleitos ou reeleitos podem ganhar espaço nas discussões internas e usar resultados administrativos e eleitorais em uma futura campanha nacional.
No campo republicano, o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio aparecem entre os possíveis nomes para a sucessão de Trump. A Constituição norte-americana impede a eleição de uma mesma pessoa para a Presidência mais de duas vezes; como venceu em 2016 e em 2024, Trump não poderá disputar um terceiro mandato em 2028. A definição dos candidatos ocorrerá por meio de primárias e convenções partidárias, e os resultados eleitorais de 2026 poderão orientar estratégias, alianças e a escolha das principais pautas de campanha.
Principais informações
- As midterms renovaram 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 vagas do Senado, sendo duas delas eleições especiais em Ohio e na Flórida.
- Controle democrata de uma ou das duas Casas pode bloquear projetos, abrir investigações e dificultar a confirmação de indicados por Trump.
- Trump mantém poder de veto e pode usar decretos executivos, sujeitos a revisão judicial e a mudanças por governos posteriores.
- O partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara em 20 das 22 eleições de meio de mandato entre 1938 e 2022, segundo a Brookings Institution.
- J.D. Vance e Marco Rubio aparecem como possíveis nomes republicanos para 2028, quando Trump não poderá disputar um terceiro mandato.

