Jovens católicos são agredidos em Rouen; quatro prestam queixa por violência religiosa

Um grupo de aproximadamente 15 jovens católicos, com idades na faixa dos 20 anos, foi agredido na noite de 31 de outubro em Rouen, na França, quando seguia em direção à feira Saint-Romain. O episódio ocorreu por volta das 23h30, nas proximidades do centro comercial Docks 76.
De acordo com os depoimentos prestados às autoridades e divulgados pela imprensa francesa, os jovens caminhavam cantando músicas religiosas quando foram abordados por dezenas de pessoas. Os agressores teriam proferido insultos, entre eles as expressões "fachos" e "sujos brancos", antes de partir para a violência física, com arremesso de objetos, socos e chutes. Algumas vítimas ficaram feridas e precisaram de atendimento médico.
Quatro integrantes do grupo registraram queixa na polícia nos dias 1º e 2 de novembro. O Ministério Público de Rouen confirmou o recebimento das quatro queixas por violência em razão de raça, etnia, nacionalidade ou religião. A apuração está a cargo da Divisão de Criminalidade Territorial, que deverá reconstruir a sequência dos acontecimentos, identificar os envolvidos e esclarecer a motivação.
A polícia municipal informou ter recebido um chamado sobre uma briga em andamento. Ao chegar ao local, os agentes identificaram três vítimas e três testemunhas. Os relatos iniciais mencionavam cerca de 15 pessoas vestidas de preto entre os suspeitos. O procurador Sébastien Gallois descreveu o caso como uma "rixa".
Segundo a imprensa francesa, os bombeiros levaram três jovens ao hospital. Entre os ferimentos relatados estão fraturas no nariz, na maçã do rosto e no assoalho da órbita ocular. Uma das vítimas também precisou de atendimento médico posteriormente, após apresentar problemas físicos em casa.
Supostas imagens da agressão circulam nas redes sociais, e os investigadores também analisam gravações de câmeras de segurança da região.
A Diocese de Rouen divulgou comunicado em 4 de novembro condenando a violência e expressando solidariedade aos jovens. A instituição manifestou "profunda reprovação" diante das agressões e das ofensas discriminatórias relatadas pelas vítimas, pediu serenidade e afirmou que a sociedade deve buscar as causas reais dos conflitos sem abandonar o respeito ao próximo. O arcebispo de Rouen, Dominique Lebrun, já havia se manifestado contra a violência em declaração anterior.
O prefeito de Rouen, Nicolas Mayer-Rossignol, também condenou o episódio. Em publicação nas redes sociais, afirmou que nenhuma diferença de crença ou convicção justifica agressões e informou ter encaminhado o caso ao procurador da República.
A União dos Muçulmanos de Rouen manifestou preocupação com o ocorrido e declarou que, caso fique comprovado que as vítimas foram escolhidas por causa de suas convicções religiosas, a agressão representará uma violação grave da liberdade de consciência e de culto.
A França abriga uma das maiores populações muçulmanas da Europa. Segundo levantamento do Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos com dados de 2019 e 2020, cerca de 10% dos moradores da França metropolitana de 18 a 59 anos declaravam seguir o islamismo, religião mais citada no país apenas atrás do catolicismo, declarado por 29% dos entrevistados.
Principais informações
- Cerca de 15 jovens católicos foram atacados por dezenas de pessoas perto da feira Saint-Romain, em Rouen, por volta das 23h30 de 31 de outubro
- As vítimas relatam insultos como "fachos" e "sujos brancos", além de objetos arremessados, socos e chutes
- Quatro queixas por violência em razão de raça, etnia, nacionalidade ou religião foram registradas nos dias 1º e 2 de novembro
- Os bombeiros levaram três jovens ao hospital, com fraturas no nariz, na maçã do rosto e no assoalho da órbita ocular
- Diocese de Rouen, prefeito Nicolas Mayer-Rossignol e União dos Muçulmanos de Rouen condenaram o episódio

