França mobiliza 70 mil policiais para conter protestos previstos em 260 cidades

A França mobilizou cerca de 70 mil policiais nesta quinta-feira, 5, para conter uma nova onda de protestos contra o governo de Emmanuel Macron. Servidores públicos entraram em greve e a mobilização, convocada por sindicatos, teve apoio de grupos estudantis. Segundo Sophie Binet, dirigente da Confederação Geral do Trabalho (CGT), os atos estavam previstos em 260 cidades.
As manifestações ocorrem depois de semanas de protestos contra o custo de vida, a situação dos serviços públicos e as condições da educação no país.
Em Paris, estudantes do ensino médio e outros manifestantes entraram em confronto com a tropa de choque pela manhã. O grupo bloqueou uma rua com contêineres de lixo. Na capital, o principal ato estava previsto para as 14h, no horário local, na Praça da República.
Em Lyon, alguns participantes usaram máscaras e óculos de proteção contra possíveis disparos de gás lacrimogêneo. As manifestações também começaram em Marselha e Nantes.
O serviço de inteligência interno francês estimou a participação de 500 mil a 700 mil pessoas nos atos realizados fora de Paris.
A mobilização acontece após os tumultos de 17 de outubro, quando saques e confrontos danificaram lojas e prédios públicos. O episódio provocou críticas à condução da crise pelo governo.
A greve já reduziu a geração de energia nuclear no início desta quinta-feira. O setor de transportes, porém, não registrou grandes problemas. O Ministério da Educação estimou que 17,5% dos professores da rede pública de ensino fundamental adeririam à paralisação.
Estudantes também cobram melhorias nas escolas e mais perspectivas para os jovens. Uma participante de 19 anos afirmou que parte dos estudantes evita os atos por receio da violência policial.
O governo defendeu a atuação das forças de segurança, mas declarou que eventuais abusos serão investigados. Na quarta-feira, Macron convocou uma reunião de defesa e segurança para discutir a mobilização. Uma autoridade próxima ao presidente afirmou que o governo pretende reduzir as tensões e garantir tranquilidade durante o período que antecede a eleição presidencial.
Principais informações
- Cerca de 70 mil policiais foram mobilizados em toda a França nesta quinta-feira, 5
- A CGT, por meio de Sophie Binet, afirmou que os protestos estavam previstos em 260 cidades
- Inteligência interna estimou entre 500 mil e 700 mil manifestantes nos atos fora de Paris
- Greve reduziu a geração de energia nuclear; 17,5% dos professores do ensino fundamental público devem aderir, segundo o Ministério da Educação
- Macron convocou reunião de defesa e segurança na quarta-feira, e o governo diz querer reduzir tensões antes da eleição presidencial

