Eu Sou o Rocky estreia no Festival de Toronto e conquista o público com a história por trás do clássico de Stallone

Filme dirigido por Peter Farrelly mostra a batalha de um jovem Sylvester Stallone para transformar o roteiro de Rocky em realidade e insistir em interpretar o personagem que mudaria sua carreira
A história por trás de Rocky: Um Lutador, um dos filmes mais famosos da história do cinema, chegou às telas com Eu Sou o Rocky (I Play Rocky). O novo longa teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) e recebeu uma forte reação do público, incluindo uma ovação de pé após a sessão.
Dirigido por Peter Farrelly, vencedor do Oscar por Green Book, o filme volta aos anos 1970 para mostrar um período em que Sylvester Stallone ainda era um ator praticamente desconhecido, com dificuldades financeiras e lutando para conseguir espaço em Hollywood.
O papel do jovem Stallone é interpretado por Anthony Ippolito, que vem recebendo elogios pela semelhança física, pela voz e pelos trejeitos utilizados na caracterização do astro.
A história antes de Rocky virar uma lenda
Muito antes de Rocky Balboa se transformar em um dos personagens mais conhecidos do cinema, Stallone era um ator tentando sobreviver profissionalmente.
A ideia para o roteiro surgiu depois que Stallone assistiu à luta entre Muhammad Ali e Chuck Wepner, em 1975. Inspirado pelo confronto, ele escreveu a história de um boxeador desconhecido que recebe uma oportunidade praticamente impossível de acontecer.
O roteiro contava a trajetória de Rocky Balboa, um lutador de origem humilde que ganha a chance de enfrentar o campeão mundial dos pesos-pesados.
Mas Stallone não queria apenas vender a história.
Ele queria interpretar Rocky.
Essa exigência se transformou no principal obstáculo para a realização do filme e também no centro da história contada por Eu Sou o Rocky.
Stallone se recusou a abrir mão do personagem
Quando os produtores de Hollywood demonstraram interesse pelo roteiro, Stallone recebeu propostas para vender a história.
O problema era que os estúdios não queriam que um ator desconhecido interpretasse o protagonista.
Stallone insistiu.
Mesmo diante da possibilidade de receber uma quantia significativa pelo roteiro, ele preferiu continuar tentando viabilizar o projeto com a condição de interpretar Rocky Balboa.
A insistência acabou sendo decisiva.
O jovem ator apostou praticamente tudo em sua própria visão e conseguiu convencer os produtores a permitir que ele interpretasse o personagem.
Foi essa decisão que abriu caminho para um dos maiores fenômenos da história do cinema.
Anthony Ippolito assume o desafio de interpretar Stallone
O protagonista de Eu Sou o Rocky é Anthony Ippolito, de 27 anos.
Conhecido por trabalhos como The Offer, o ator foi escolhido para interpretar Stallone durante os anos que antecederam a produção de Rocky.
Para assumir o papel, Ippolito passou por um longo processo de preparação.
Segundo informações divulgadas antes da estreia, o ator treinou por mais de um ano e meio para reproduzir não apenas a aparência física do jovem Stallone, mas também sua postura, sua maneira de falar e seus movimentos.
O resultado chamou a atenção da crítica.
A Variety destacou a impressionante semelhança física entre Ippolito e Stallone e elogiou principalmente a maneira como o ator reproduziu a voz característica do astro.
O próprio Stallone aprovou o filme
Um dos momentos mais importantes da produção aconteceu depois que Sylvester Stallone assistiu ao filme.
O diretor Peter Farrelly contou que ficou nervoso antes de Stallone assistir à produção, justamente porque o longa retrata acontecimentos importantes da juventude do ator e da criação de um dos personagens mais importantes de sua carreira.
Segundo Farrelly, Stallone entrou em contato logo depois de assistir ao filme e demonstrou aprovação.
O diretor afirmou que não teria realizado o projeto caso Stallone não tivesse gostado do roteiro ou não tivesse dado sua aprovação à abordagem da história.
A estreia no TIFF provocou forte reação
A primeira exibição pública de Eu Sou o Rocky aconteceu no Toronto International Film Festival, que está sendo realizado entre 10 e 20 de setembro.
A reação do público foi um dos principais assuntos após a sessão.
Os espectadores aplaudiram o filme de pé, em uma recepção especialmente calorosa para uma produção que ainda nem chegou ao circuito comercial.
A resposta também despertou especulações sobre o potencial do longa na próxima temporada de premiações. O TIFF é tradicionalmente considerado um dos festivais importantes para filmes que buscam espaço na corrida pelo Oscar.
Peter Farrelly reencontra o sucesso em Toronto
A recepção tem um significado especial para Peter Farrelly.
Em 2018, o diretor esteve no TIFF com Green Book, filme que acabou conquistando o prêmio do público do festival e posteriormente ganhou o Oscar de Melhor Filme.
Agora, oito anos depois, Farrelly volta a Toronto com uma nova história de superação e novamente recebe uma resposta entusiasmada.
O diretor reconheceu a importância da experiência e afirmou que suas duas melhores experiências como espectador aconteceram justamente em Toronto: uma com Green Book e agora com I Play Rocky.
Filme também mostra os bastidores da criação de Rocky
Além da trajetória pessoal de Stallone, a produção mergulha nos bastidores da realização do filme de 1976.
A narrativa acompanha o relacionamento do jovem ator com produtores, amigos e pessoas próximas que participaram daquele momento decisivo.
Entre os personagens retratados está Carl Weathers, que interpretou Apollo Creed no filme original.
O ator Stephan James assume o papel de Weathers em Eu Sou o Rocky.
Também fazem parte do elenco AnnaSophia Robb, Matt Dillon, P.J. Byrne, Toby Kebbell, Tracy Letts e Jay Duplass.
Rocky mudou a história do cinema
A importância do filme original ajuda a explicar o interesse em contar novamente essa história.
Lançado em 1976, Rocky: Um Lutador transformou Stallone em uma estrela mundial.
O longa recebeu 10 indicações ao Oscar e venceu três categorias, incluindo a de Melhor Filme.
Também se tornou o filme de maior bilheteria de 1976 e deu origem a uma das franquias mais duradouras do cinema, com sequências e derivados que mantiveram Rocky e seus personagens presentes na cultura popular durante décadas.
Uma história sobre persistência
Embora tenha o boxe como elemento central, Eu Sou o Rocky não é propriamente um filme sobre uma luta dentro do ringue.
O verdadeiro confronto é o de Stallone contra as portas fechadas de Hollywood.
A produção acompanha um ator desconhecido tentando convencer produtores de que não apenas tinha escrito uma boa história, mas que também era a pessoa certa para interpretar o protagonista.
Nesse sentido, a própria trajetória de Stallone reproduz a estrutura de uma história de Rocky: um personagem desacreditado que se recusa a desistir da oportunidade de provar seu valor.
A semelhança com Stallone virou um dos trunfos do filme
A escolha de Anthony Ippolito foi considerada fundamental para o funcionamento da produção.
O desafio não era simplesmente encontrar alguém parecido fisicamente com Stallone. Era necessário reproduzir uma personalidade que o público conhece muito bem.
Ippolito precisou trabalhar a voz, o sotaque, os gestos, a postura e até a maneira característica de Stallone movimentar o rosto.
A crítica tem destacado justamente essa combinação entre imitação e interpretação, apontando que o ator consegue fazer o jovem Stallone parecer uma pessoa real, e não apenas uma caricatura do astro.
Críticas dividem opiniões
A recepção crítica inicial não foi totalmente uniforme.
Enquanto parte dos críticos considera Eu Sou o Rocky um filme divertido, carismático e eficiente ao explorar a nostalgia em torno de Rocky, outras avaliações apontam que a produção depende demais da admiração pelo filme original e pode ser superficial em determinados momentos.
O The Guardian, por exemplo, classificou a produção como um filme agradável ao público, mas observou que a obra privilegia o fan service e a nostalgia em detrimento de uma abordagem emocional mais profunda.
Mesmo assim, a reação do público em Toronto foi bastante positiva.
Estreia no Brasil será em novembro
No Brasil, o filme recebeu o título Eu Sou o Rocky e chegará aos cinemas em 19 de novembro de 2026, com distribuição da Diamond Films.
A data coloca o lançamento praticamente 50 anos depois da chegada do Rocky original aos cinemas.
A produção tem duração de aproximadamente 127 minutos e é classificada como drama.
Um filme sobre o homem antes do mito
Eu Sou o Rocky parte de uma pergunta que sempre despertou curiosidade entre os fãs: como um ator desconhecido conseguiu transformar uma ideia aparentemente improvável em um dos maiores sucessos da história do cinema?
A resposta está na insistência de Stallone em não abrir mão de sua criação.
Antes de Rocky ser campeão, antes das sequências, antes dos Oscars e antes de o personagem se transformar em símbolo mundial de superação, havia apenas um ator desconhecido com um roteiro nas mãos e uma condição para vendê-lo: ele precisava interpretar Rocky Balboa.
É justamente essa aposta que o novo filme pretende transformar em espetáculo cinematográfico.
Com uma estreia aplaudida no TIFF, elogios para Anthony Ippolito e o aval do próprio Stallone, Eu Sou o Rocky chega aos cinemas brasileiros em novembro como uma das produções mais aguardadas pelos fãs da franquia e dos bastidores de Hollywood.

