Em sessão no STF, Dino cita Datafolha em defesa de Moraes e não menciona apoio a impeachment

Em sessão no STF, Dino cita Datafolha em defesa de Moraes e não menciona apoio a impeachment

Na sessão plenária do Supremo Tribunal Federal desta terça-feira, 15 de setembro de 2026, o ministro Flávio Dino recorreu a números de pesquisa do Datafolha para defender Alexandre de Moraes. A apresentação dos dados, no entanto, deixou de fora parcelas do levantamento que apontam rejeição mais alta ao ministro citado, segundo o material divulgado.

Sem nomear os colegas, Dino falou de um "ministro A", referindo-se a Moraes, e afirmou que 34% da população brasileira defenderiam seu afastamento do tribunal. Em seguida, mencionou um "ministro B", em referência a André Mendonça, e disse que 37% apoiariam o afastamento dele.

A leitura apresentada sugeria que Mendonça teria rejeição maior que a de Moraes. O argumento sustentava a posição do ministro de que integrantes do STF não devem orientar seus votos pelo clamor popular.

Os números usados constam de levantamento do Datafolha publicado no sábado, 12 de setembro. Dino não mencionou, porém, que 28% dos brasileiros defendem o impeachment de Moraes, enquanto, no caso de Mendonça, 12% apoiam esse tipo de procedimento. Somadas as parcelas favoráveis a afastamento e impeachment, a rejeição a Moraes chega a 62%, contra 49% de Mendonça — diferença de 13 pontos percentuais em relação ao cenário descrito no plenário.

Nos bastidores do tribunal, Dino é apontado como aliado de Moraes, em grupo que incluiria também Cristiano Zanin e o decano Gilmar Mendes. Na mesma sessão, os três votaram para que o plenário analise de forma conjunta os processos referentes a Moraes e a Mendonça, posição contrária ao voto de Luiz Edson Fachin, que defendeu a manutenção de ações separadas.

Sobre Mendonça, uma ala do Supremo sustenta que é preciso apurar se houve irregularidades em sua atuação como relator das ações do Banco Master. No caso de Moraes, a controvérsia envolve sua relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, e se ele deveria ser investigado por esse vínculo.

A crise interna na Corte se intensificou nas últimas semanas. Fachin e Dino chegaram a discutir durante uma sessão e precisaram conversar reservadamente para reduzir a tensão. Mendonça reagiu a ataques de Gilmar Mendes e classificou as acusações como "leviano". Moraes entregou uma defesa de 44 páginas na qual ataca Mendonça, documento que, segundo relatos, continha erros de português.

Principais informações

  • Dino citou no plenário números do Datafolha sobre afastamento de ministros do STF, sem nomear os colegas
  • Segundo o levantamento, 34% defendem o afastamento de Moraes e 37% o de Mendonça
  • O ministro não mencionou que 28% apoiam o impeachment de Moraes, contra 12% no caso de Mendonça
  • Somados afastamento e impeachment, a rejeição a Moraes é de 62%, e a de Mendonça, de 49%
  • Dino, Zanin e Gilmar votaram pela análise conjunta dos processos; Fachin defendeu ações separadas

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