Comparecimento de árabes-israelenses bate recorde e leva a pedido de investigação sobre supostas irregularidades

Comparecimento de árabes-israelenses bate recorde e leva a pedido de investigação sobre supostas irregularidades

A eleição israelense de 27 de outubro registrou comparecimento recorde de eleitores árabes-israelenses, que passaram de 53% em 2022 para 77% neste ano, e elevou de 10 para 19 os mandatos de partidos que representam essa população na Knesset, o Parlamento do país. O resultado das urnas veio acompanhado de denúncias de irregularidades e de um pedido de investigação a ser conduzido em conjunto pela polícia israelense e pelo Shin Bet, o serviço de segurança interna.

Nas primeiras horas de votação, ainda pela manhã, o trânsito ao redor dos postos já era intenso. Ao longo do dia, a mídia local relatou filas descritas como inéditas de cidadãos árabes-israelenses à espera para votar. Em Rahat, a maior cidade beduína do país, a presença nas seções subiu de 51% na eleição anterior para 80%, também um recorde.

O partido Ra'am e a Lista Conjunta, que reúne três legendas, praticamente dobraram a representação parlamentar. Caso um governo seja formado, eles serão o terceiro maior bloco político da Knesset.

Entre os fatores apontados para a mobilização estão o descontentamento da sociedade árabe com o atual governo e o crescimento da criminalidade nesse setor. Também são citadas decisões do ministro da Segurança, Itamar Ben Gvir, como a invasão de assentamentos ilegais beduínos e a retirada de regalias nas prisões israelenses. O jornalista beduíno Hussein Alobera, de Rahat, atribuiu o fenômeno ao que chamou de “efeito Ben Gvir”, dizendo que a população árabe percebeu que poderia usar a única ferramenta de transformação disponível.

Parte das denúncias, porém, aponta compra de votos com recursos vindos do exterior. O Likud, partido de Benjamin Netanyahu, reuniu em um documento 1.183 acusações de atividades suspeitas dentro e fora das seções eleitorais. O material inclui vídeos de líderes religiosos anotando números de identidade de eleitores em mesas na entrada dos locais de votação, imagens de pessoas com cartões de abastecimento de combustível e fotos de veículos com maços de dinheiro em espécie no banco do passageiro. Há ainda relatos de eleitores que disseram ter descoberto, ao chegar, que alguém já havia votado em seu nome; alguns registraram boletim de ocorrência, e nenhuma medida foi tomada.

Entre os países sob suspeita de financiar a campanha estão a Turquia e, principalmente, o Catar. Até o momento, não foram apresentadas publicamente evidências que liguem as denúncias aos líderes dos partidos árabes nem a recursos estrangeiros.

A procuradora-geral de Israel, Gali Baharav-Miara, exigiu provas concretas para autorizar o interrogatório de políticos árabes solicitado por David Zini, chefe do Shin Bet. “Cidadãos e representantes eleitos não podem ser investigados sem uma evidência que o justifique”, declarou. O presidente Isaac Herzog manifestou-se favorável à investigação, enquanto muitos viram a iniciativa de Zini — apontado por Netanyahu para o cargo em outubro de 2025 — como uma tentativa de retardar a divulgação dos resultados.

O episódio também recoloca em pauta a demografia do setor árabe-israelense, que hoje representa cerca de 22% da população do país, tema que a reportagem original relaciona à trajetória dos partidos que representam esse grupo dentro do Parlamento.

Principais informações

  • Comparecimento de árabes-israelenses subiu de 53% para 77%, recorde histórico no país
  • Ra'am e Lista Conjunta passaram de 10 para 19 mandatos e serão o terceiro maior bloco se houver governo
  • Em Rahat, maior cidade beduína, a presença nas urnas foi de 51% para 80%
  • Likud reuniu 1.183 acusações de irregularidades, incluindo cartões de combustível e dinheiro em espécie
  • Procuradora-geral exigiu provas concretas para autorizar interrogatório de políticos árabes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *