Coluna reage a crítica a Anne Frank e alerta para relativização do Holocausto

Coluna reage a crítica a Anne Frank e alerta para relativização do Holocausto

Um vídeo compartilhado nas redes sociais, no qual uma menina entrevistada durante uma Bienal do Livro diz que "O Diário de Anne Frank" é um livro ruim porque a autora "se vitimizava demais", motivou uma coluna assinada por Juliana Antonelli, diretora do Instituto Atlantos e colaboradora do Instituto Liberal, publicada na Sentido Horário.

No texto, intitulado "Quando a vítima vira 'vitimista'", a autora avalia que o episódio não se resume a uma leitura equivocada de uma obra. Segundo ela, o caso evidencia que a relativização do Holocausto costuma avançar sem começar pela negação explícita dos campos de extermínio ou das câmaras de gás, mas pela banalização da experiência das vítimas e pela inversão de responsabilidades.

A coluna lembra que Anne Frank era uma adolescente judia que viveu escondida dos nazistas em um país ocupado, sob risco constante de prisão e morte. Descoberta em 1944, ela morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen, em 1945. Para a autora, o diário não expressa autopiedade, e sim o registro de uma jovem que tentava manter sua humanidade dentro de um sistema criado para desumanizá-la.

O texto também afirma que a menina não deve ser transformada em alvo de punição pública. Na avaliação da autora, uma sociedade liberal precisa defender o direito de qualquer pessoa, inclusive de uma adolescente, fazer uma leitura ruim, superficial ou até ofensiva de uma obra, porque a liberdade de expressão não existe apenas para opiniões consideradas maduras ou socialmente aceitas.

A coluna ressalva, porém, que isso não iguala o valor de todas as opiniões. Segundo o texto, a liberdade de expressão não elimina a responsabilidade de educadores, jornalistas, autores e cidadãos de contestar erros, e uma opinião pode ser permitida ao mesmo tempo em que é intelectualmente indefensável.

O material recorda que o genocídio dos judeus europeus foi uma política de Estado organizada pela Alemanha nazista e executada com a colaboração de instituições, agentes públicos e grupos aliados, com cerca de seis milhões de judeus assassinados. A perseguição, segundo o texto, começou com leis, registros, boicotes, exclusões e confiscos antes de chegar aos guetos, às deportações e aos campos de extermínio.

A autora cita ainda a definição de trabalho da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, que reconhece como parte de um mesmo fenômeno formas de distorção como minimizar o número de vítimas, desculpar os perpetradores, sugerir que os judeus provocaram a própria perseguição ou fazer comparações oportunistas para diluir a especificidade do genocídio.

Na conclusão, a coluna sustenta que a defesa da verdade histórica não pertence à esquerda nem à direita, mas é uma exigência liberal, e que lembrar o Holocausto vai além de honrar os mortos: significa preservar as condições intelectuais e morais necessárias à existência de uma sociedade livre.

Principais informações

  • Vídeo em que uma menina critica "O Diário de Anne Frank" por "vitimismo" gerou repercussão e motivou coluna na Sentido Horário.
  • O texto é assinado por Juliana Antonelli, diretora do Instituto Atlantos e colaboradora do Instituto Liberal.
  • Anne Frank era uma adolescente judia escondida dos nazistas; descoberta em 1944, morreu em Bergen-Belsen em 1945.
  • A coluna afirma que a menina não deve ser alvo de punição, mas defende o dever de contestar erros.
  • O texto cita cerca de seis milhões de judeus assassinados e a definição da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto sobre formas de distorção.

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