Cartilha do PT orienta militância a virar votos no 2º turno e mira Flávio Bolsonaro

Uma cartilha de 12 páginas que circula nas redes sociais orienta a militância do PT a virar o segundo turno. O texto traz poucos argumentos em defesa de Lula e mira Flávio Bolsonaro, com foco em levar idosos às urnas e conquistar eleitores da terceira via. A ideia declarada não é fazer esse eleitor gostar de Lula, mas obter um voto de medo contra Flávio.
A cartilha afirma que mais da metade dos 17 milhões de brasileiros com mais de 70 anos não votou e que 8 milhões de idosos ficaram em casa em 2022, eleição decidida por menos de 2 milhões de votos — pouco menos que a diferença atual entre Flávio e Lula. Militantes devem ajudar na logística para levar o idoso às urnas.
Sobre o Farmácia Popular, o documento diz que Bolsonaro "desmontou" o programa, "resgatado" por Lula. Nunca houve extinção: uma proposta do Ministério da Economia para 2023 previa corte de R$ 2,96 bilhões para R$ 1,46 bilhão, e Bolsonaro pediu a Paulo Guedes que a reavaliasse. As farmácias próprias fecharam em 2017, no governo Temer.
A cartilha manda dizer que Lula elevou o salário mínimo acima da inflação, mas confunde aumento nominal e real. O mínimo passou de R$ 1.518 para R$ 1.621 em 2026, alta nominal de 6,79% ante inflação de 4,18%, ganho real de cerca de 2,5%.
Sobre a pandemia, o texto pede que se lembre do "atraso das vacinas e incentivo a tratamentos ineficazes". O episódio mais citado é o da Covaxin: em março de 2021, a Anvisa encontrou na fábrica da Bharat Biotech três não conformidades críticas, 12 maiores e 14 menores. À época, a oposição criticava a rapidez da liberação, e Randolfe Rodrigues, que cobrava agilidade para a vacina, reuniu-se com a Precisa Medicamentos.
Sobre programas sociais, o documento recomenda cautela com beneficiários e sugere perguntar se Flávio os defenderia. Jair Bolsonaro não acabou com o Bolsa Família, substituído pelo Auxílio Brasil, e elevou os valores: de R$ 186,72 em dezembro de 2018 para R$ 607,14 em dezembro de 2022, alta real de 156,2% descontada a inflação de 26,9%.
A parte final trata de tirar votos da terceira via e admite que esse eleitor não gosta de Lula nem de Flávio, orientando não tentar convertê-lo. A cartilha lista três ataques que, segundo pesquisas citadas, funcionam melhor: que ele "nunca entregou nada", que "vai entregar o Brasil para o Trump" e que "não é confiável", este associando-o a Vorcaro.
O documento termina orientando publicar em stories ou status a pergunta "Votou em outro candidato no 1º turno e ainda não decidiu? Quero conversar com você" e o fecho "Faltam 21 dias para o segundo turno. Agora é eu, você, e Nossa Senhora." (sic).
Principais informações
- Cartilha de 12 páginas do PT orienta a militância a virar o segundo turno com foco em idosos e eleitores da terceira via.
- Documento traz poucos argumentos pró-Lula e concentra ataques em Flávio Bolsonaro.
- Farmácia Popular nunca foi extinto; as farmácias próprias fecharam em 2017, no governo Temer.
- Bolsa Família foi substituído pelo Auxílio Brasil, com valores maiores: de R$ 186,72 para R$ 607,14.
- Cartilha lista três ataques contra Flávio e termina com referência a Nossa Senhora.

