Cancelamento do debate da Globo tem ampla repercussão na imprensa internacional

O debate entre candidatos à Presidência que a TV Globo faria na noite da quinta-feira (1º) foi cancelado e repercutiu em veículos de vários continentes. O jornal espanhol El Mundo descreveu o episódio como um "caos no Brasil" às vésperas do primeiro turno.
Pouco antes do horário previsto, a emissora recebeu duas intimações judiciais. A primeira foi assinada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, atendendo a pedido da coligação que apoia a candidatura de Lula (PT). A segunda partiu do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em resposta a requerimento do partido Solidariedade sobre a participação de Renan Santos, do Missão.
A ata com as regras do encontro havia sido assinada por todos os partidos, incluindo o PT. O documento previa que o púlpito de um candidato ausente ficaria vazio, identificado por uma placa, e que em uma rodada de tema livre os presentes poderiam formular em trinta segundos a pergunta que fariam ao ausente.
A Globo afirmou que as decisões judiciais tomadas momentos antes do debate geraram insegurança jurídica e configuraram interferência indevida na liberdade de imprensa para organizar encontros eleitorais. A emissora ressaltou sua tradição na promoção de debates e reafirmou compromisso com a democracia e a discussão de ideias e projetos para o país.
A confirmação da ausência de Flávio Bolsonaro (PL) foi o gatilho final para o cancelamento; Lula (PT) já havia comunicado que não participaria. Ambos figuram entre os mais bem colocados nas pesquisas recentes. Lula optou por participar de um podcast, enquanto Flávio acusou o TSE de afetar a liberdade de imprensa ao alterar as regras pré-estabelecidas do embate.
A agência Reuters foi uma das primeiras a noticiar o fato, mencionando a ausência prévia de Lula e a desistência de Flávio Bolsonaro, e sua matéria foi replicada em veículos da Itália e da França. A Al Jazeera afirmou que os dois "ignoraram" o debate e "recusaram a oportunidade" de discutir antes do primeiro turno.
O El Mundo detalhou as alegações da Globo sobre interferência judicial e trouxe a reação crítica de candidatos confirmados no encontro, como o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). O jornal também noticiou que, no mesmo dia, a revista Piauí revelou a organização, pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de festas sexuais para políticos, magistrados e outros "homens poderosos".
A AFP relatou que Lula e Flávio ignoraram o debate e citou "táticas sujas" na reta final da campanha polarizada, mencionando uma discussão sobre a santa padroeira do Brasil ligada a um projeto arquivado há quase 20 anos. A agência registrou ainda que alguns comentaristas viram na ausência de Lula uma tentativa de evitar críticas de outros participantes.
CNN em espanhol, EFE, El Tiempo e El Comercio também trataram do caso. A agência espanhola destacou que aquela seria a última oportunidade para os eleitores ouvirem as propostas dos principais candidatos antes das eleições. O suíço SwissInfo classificou o episódio como "interferência indevida", e o dinamarquês Berlingske atrelou o cancelamento às ausências de Lula e Flávio Bolsonaro.
Principais informações
- A TV Globo cancelou o debate presidencial pouco antes do horário previsto, na quinta-feira (1º).
- A emissora recebeu intimações da ministra Estela Aranha, do TSE, e do ministro Gilmar Mendes, do STF, sobre as regras do encontro.
- A ausência confirmada de Flávio Bolsonaro foi o gatilho final; Lula já havia comunicado que não participaria.
- A Globo afirmou que as decisões geraram insegurança jurídica e interferência indevida na liberdade de imprensa.
- Veículos como Reuters, Al Jazeera, AFP, El Mundo, EFE, SwissInfo e Berlingske noticiaram o episódio.

