Banco Master patrocinou Brazil Conference 2024 com João Campos e Tabata Amaral entre palestrantes

Banco Master patrocinou Brazil Conference 2024 com João Campos e Tabata Amaral entre palestrantes

O Banco Master estava entre os patrocinadores da Brazil Conference de 2024, evento sediado em Harvard e no MIT, nos Estados Unidos, que teve o então prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) entre os palestrantes. A presença do casal no encontro voltou a ser discutida após a divulgação de mensagens sobre um contrato de consultoria ligado ao vice de sua chapa ao governo de Pernambuco.

A conferência daquele ano reuniu autoridades, empresários, acadêmicos e personalidades brasileiras. Além de João Campos e Tabata Amaral, que na época namoravam, participaram o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, ministros da Corte, governadores e representantes do setor empresarial. Daniel Vorcaro, fundador e então controlador do Banco Master, também compareceu ao evento.

Conversas apreendidas pela Polícia Federal e divulgadas pela imprensa revelaram um diálogo de fevereiro de 2025 entre Vorcaro e o advogado Luiz Rennó. O tema era a continuidade de um contrato de R$ 100 mil mensais vinculado a Carlos Costa (Republicanos), que viria a ser candidato a vice na chapa de João Campos.

Segundo reportagem da Veja, Rennó comunicou ao banqueiro que o contrato havia vencido e que o serviço prestado envolvia o acompanhamento de projetos de lei e de legislação. O advogado sugeriu reduzir o pagamento para R$ 10 mil caso Vorcaro não conhecesse o contratado. A resposta atribuída ao banqueiro foi: “Ah, sim. Pode cortar não”.

Os valores eram pagos à RI Consulting, empresa que tinha entre os sócios Carlos Costa e seu pai, o ex-deputado Silvio Costa. Carlos deixou a administração da empresa em março de 2026, antes de integrar oficialmente a chapa de João Campos. Levantamentos divulgados pela imprensa identificaram 20 notas fiscais de R$ 100 mil cada, emitidas entre março de 2024 e outubro de 2025, totalizando R$ 2 milhões. Dados apresentados anteriormente à CPI do Crime Organizado já indicavam ao menos R$ 1,1 milhão em pagamentos. A informação se refere a pagamentos feitos à consultoria, e não a uma transferência pessoal do Banco Master para João Campos.

Silvio Costa afirmou que a RI Consulting prestava serviços de consultoria política e empresarial para associações e federações do setor produtivo. De acordo com ele, o contrato com o Banco Master tinha como finalidade acompanhar a tramitação da reforma tributária no Congresso Nacional, além de projetos de lei em estados e municípios. O ex-deputado declarou também que a empresa não participou de reuniões com o Banco Central, o Banco de Brasília (BRB) ou outras instituições citadas nas investigações, e que o contrato já foi encerrado. Segundo sua manifestação, relatórios mensais eram produzidos sobre os serviços prestados e os contatos com diretores do banco ficavam registrados em atas notariais.

O caso repercutiu no debate entre os candidatos ao governo de Pernambuco realizado na quinta-feira, 1º. Raquel Lyra (PSD) questionou João Campos sobre a menção a Carlos Costa nas mensagens de Vorcaro. Em resposta, o candidato direcionou críticas à vice de Raquel, Priscila Krause (PSD), citando uma investigação envolvendo um hospital ligado ao marido dela.

A participação de João Campos e Tabata Amaral na Brazil Conference aconteceu em 2024, antes da divulgação das mensagens envolvendo Vorcaro e Carlos Costa. As assessorias de João Campos, Tabata Amaral e Carlos Costa foram procuradas para comentar a participação no evento e as informações relacionadas ao Banco Master, mas não houve retorno até o fechamento da matéria.

Principais informações

  • O Banco Master patrocinou a Brazil Conference de 2024, realizada em Harvard e no MIT, com João Campos e Tabata Amaral entre os palestrantes.
  • Mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram diálogo de fevereiro de 2025 entre Daniel Vorcaro e o advogado Luiz Rennó sobre um contrato de R$ 100 mil mensais ligado a Carlos Costa.
  • Os pagamentos eram feitos à RI Consulting, que tinha Carlos Costa e o ex-deputado Silvio Costa entre os sócios; levantamentos apontam R$ 2 milhões em notas fiscais e ao menos R$ 1,1 milhão já indicado à CPI do Crime Organizado.
  • Silvio Costa afirmou que o contrato visava acompanhar a reforma tributária e projetos de lei, negou participação em reuniões com instituições citadas nas investigações e disse que o acordo foi encerrado.
  • O caso foi levantado por Raquel Lyra no debate entre candidatos ao governo de Pernambuco; João Campos respondeu citando investigação sobre um hospital ligado ao marido da vice dela.

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