Abstenção pode custar até 2 pontos percentuais a Lula, diz CEO da Nexus

Abstenção pode custar até 2 pontos percentuais a Lula, diz CEO da Nexus

A abstenção pode retirar cerca de dois pontos percentuais da votação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. Em entrevista à CNN na segunda-feira (28), ele afirmou que a diferença entre o resultado das pesquisas e o das urnas tende a reduzir a votação do presidente nesse patamar, conforme os cálculos da empresa.

O motivo estaria no perfil de quem historicamente deixa de votar. Tokarski afirma que a abstenção é maior entre eleitores de baixa escolaridade e de baixa renda, faixas em que Lula tem desempenho muito superior ao de Flávio Bolsonaro (PL) na pesquisa Nexus/BTG, no primeiro e no segundo turno.

Eleitores com 60 anos ou mais também preocupam a campanha petista. O grupo já representa quase um quarto do eleitorado e aparece favorável a Lula nas pesquisas. Entre quem tem 70 anos ou mais, faixa em que o voto é facultativo, a abstenção chegou a 59% na última eleição, segundo dados citados pelo executivo.

Tokarski afirmou que a abstenção cresce em torno de um ponto percentual a cada eleição presidencial e atingiu 20,9% no segundo turno do último pleito. Ainda assim, disse não ver indicativos de disparada neste ano: "Ela pode crescer, mas, na minha opinião, tende a crescer pouco".

A pesquisa Nexus/BTG divulgada na segunda-feira mostra Lula à frente no primeiro turno, com 42% das intenções de voto, contra 37% de Flávio Bolsonaro. A diferença de cinco pontos está fora da margem de erro; na rodada anterior, era de três pontos.

Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem com 5% cada; Renan Santos (Missão), 4%; Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP), 1% cada. Os demais não pontuaram. Brancos, nulos e a opção "nenhum" somaram 3%, e 2% não souberam ou não responderam.

No segundo turno, Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados, com 46% e 44%. Duas semanas antes, o placar era de 47% a 46%. Tokarski disse que os números representam "um certo alívio" para a campanha do PT, mas ressaltou que a vantagem no primeiro turno não está consolidada, já que o piso de Lula (39%) equivale ao teto de Flávio.

Para o CEO da Nexus, nada está definido. Ele considera provável a realização de um segundo turno e avalia que uma decisão já no primeiro turno exigiria um movimento de voto útil muito intenso e concentrado em apenas um dos lados, o que, segundo ele, normalmente não acontece.

O levantamento ouviu 2.000 eleitores de 16 anos ou mais, com título, entre 25 e 27 de setembro, por telefone. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pelo BTG Pactual e registrada no TSE sob o protocolo BR-07557/2026.

Principais informações

  • Abstenção pode reduzir em cerca de 2 pontos percentuais a votação de Lula, segundo o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski
  • Eleitores de baixa renda e escolaridade, mais ausentes, são os que mais votam em Lula, diz o executivo
  • Entre quem tem 70 anos ou mais, a abstenção chegou a 59% na última eleição
  • Pesquisa Nexus/BTG: Lula tem 42% no primeiro turno contra 37% de Flávio Bolsonaro
  • No segundo turno, os dois aparecem empatados tecnicamente, com 46% e 44%

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