Lula repete desinformação sobre Nossa Senhora Aparecida em entrevista e desconversa ao ser corrigido

Durante participação no programa Canal Livre, da Band, o presidente Lula (PT) repetiu a desinformação que associa o senador Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta tentativa de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Ao ser confrontado pelos jornalistas presentes na bancada, o presidente mudou de assunto e sustentou que o "dado concreto" seria a repercussão do tema nas redes sociais.
Lula levantou o assunto por iniciativa própria. Disse que "esse negócio de mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável" e afirmou que já houve quem, entre religiosos evangélicos, tivesse "chutado" a imagem da santa. Questionado por um repórter sobre se não se tratava de uma notícia falsa, respondeu: "Eu não sei se foi fake news".
Os jornalistas explicaram então que o caso remetia a um projeto de lei apresentado em 2007 e arquivado no ano seguinte, e que a própria emissora que veiculou a informação já havia pedido desculpas. Lula manteve a narrativa e afirmou que o assunto circulava "muito forte" nas redes sociais. Ele declarou que Nossa Senhora Aparecida "vai ser padroeira do Brasil porque o povo brasileiro quer e tem fé" e defendeu que todas as religiões se respeitem, citando as fés evangélica, católica e de matriz africana.
Conforme a campanha do senador Flávio Bolsonaro, os boatos partiram de uma publicação do influenciador Jeferson de Oliveira Monteiro, responsável pelo perfil "Dilma Bolada". A história ganhou alcance depois de ser mencionada pela GloboNews, que posteriormente se retratou e pediu desculpas pela repercussão. Diante da propagação da desinformação, o senador acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e o ministro André Mendonça determinou a remoção das publicações relacionadas ao caso.
A decisão de Mendonça foi cassada pelo ministro Flávio Dino no domingo, 27. Segundo o material, Dino usou um processo sem relação direta com o caso e argumentou que não seria possível afirmar com certeza que o humorista Antonio Tabet havia publicado uma notícia falsa. Mesmo após a determinação judicial anterior, apoiadores do presidente continuaram a alimentar a narrativa, baseada no projeto de lei de 2007 arquivado no ano seguinte.
Principais informações
- Lula repetiu em entrevista na Band a desinformação sobre uma suposta tentativa de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
- Questionado pelos jornalistas, disse que não sabia se era fake news e afirmou que o "dado concreto" era a repercussão nas redes sociais.
- Os repórteres lembraram que o caso remete a um projeto de lei de 2007, arquivado em 2008, e que a emissora que divulgou a história já havia pedido desculpas.
- Segundo a campanha de Flávio Bolsonaro, os boatos partiram de publicação do influenciador Jeferson de Oliveira Monteiro, do perfil "Dilma Bolada".
- O senador acionou o TSE e obteve decisão do ministro André Mendonça, cassada depois por Flávio Dino.

