Moraes chama relatório da PF sobre mensagens com Vorcaro de ‘nulo’ e cita possível interferência externa

Moraes chama relatório da PF sobre mensagens com Vorcaro de 'nulo' e cita possível interferência externa

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como "nulo e imprestável" o relatório da Polícia Federal que aponta supostas trocas de mensagens entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro. Na manifestação, Moraes afirma que o documento pode ter sido produzido com auxílio de órgão estrangeiro.

A defesa foi apresentada em ofício de 44 páginas enviado ao presidente da Corte, Edson Fachin, na segunda-feira (14/9). O texto responde a um pedido do próprio Fachin, que em 3 de setembro abriu prazo de cinco dias para que Moraes, o ministro André Mendonça, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se pronunciassem sobre o caso.

O despacho de Fachin foi publicado na véspera da sessão plenária extraordinária de terça-feira (15/9), convocada para analisar as mensagens trocadas entre o ministro do STF e o banqueiro. O relatório que embasa o caso foi apresentado por Mendonça.

Moraes sustenta que houve "total quebra da cadeia de custódia" — procedimento que registra e preserva a trajetória de uma evidência, da coleta à análise. Segundo ele, o relatório não foi realizado integralmente na Polícia Federal, mas com auxílio de órgão externo, provavelmente estrangeiro, o que representaria, na sua avaliação, uma tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026.

Para embasar o argumento, o ministro afirma que os metadados do arquivo mostram que a abertura e a finalização do relatório ocorreram no mesmo dia nos computadores da PF. Na leitura dele, isso indicaria que o documento foi produzido antes, fora da corporação, e depois inserido nos sistemas da Polícia Federal. Moraes também diz que o material reúne "ilações, mentiras, dados falsos e conclusões absurdas", construídas a partir de fragmentos de mensagens selecionados de forma subjetiva, e afirma que o relatório não encontrou nenhuma prática de infração penal de sua parte.

Moraes vincula a suposta tentativa de incriminá-lo a uma "vingança" relacionada à sua atuação como relator das ações contra a organização criminosa que, segundo ele, tentou dar um golpe de Estado e abolir o Estado Democrático de Direito. Ele também sugere que o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça, teria como objetivo impedir a investigação sobre a suposta origem externa do relatório.

Na mesma linha, o ministro atribui a Mendonça motivação político-eleitoral e afirma que houve direcionamento das investigações para incriminá-lo e para atingir o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, favorecendo determinado grupo político nas eleições de outubro de 2026. Ele cita o momento em que o material teria vazado, na semana anterior aos atos de 7 de setembro, como tentativa de impulsionar comícios.

Segundo a petição, Alcolumbre seria alvo relevante por sua influência política e pelo controle da pauta de eventuais pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. Por fim, o documento enquadra a ofensiva como uma vingança de aliados de pessoas condenadas pelo STF por atos ligados à tentativa de golpe de Estado e afirma que a estratégia representa uma mudança no modus operandi adotado após os ataques de 8 de janeiro de 2023.

Principais informações

  • Moraes chamou de "nulo e imprestável" o relatório da PF sobre supostas mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro
  • O ministro afirmou que o documento pode ter sido produzido com auxílio de órgão estrangeiro e alegou quebra da cadeia de custódia
  • A manifestação de 44 páginas foi enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, na segunda-feira (14/9)
  • Moraes atribuiu a Mendonça motivação político-eleitoral e disse que a investigação também visaria o presidente do Senado, Davi Alcolumbre
  • Uma sessão plenária extraordinária foi convocada para terça-feira (15/9) para analisar as mensagens

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