Senado mantém sigilo de 100 anos sobre visitas do Careca do INSS

O Senado Federal decidiu, em 2025, manter sob sigilo de 100 anos os registros de visitas de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como operador de um esquema de fraudes na Previdência. A restrição impede que se saiba quais gabinetes ele visitou, em que datas e quem o recebeu na Casa.
A Advocacia do Senado justificou a medida alegando proteção de dados pessoais e prerrogativas parlamentares.
A decisão de manter os registros fechados ganhou novo peso com o avanço das investigações da Polícia Federal. A PF abriu três investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.
Uma delas apura suspeitas de tráfico de influência em negócios que ligavam o Careca à empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha.
Os investigadores identificaram cinco transferências de R$ 300 mil, que somam R$ 1,5 milhão, de uma empresa ligada ao Careca para a empresa da lobista.
Mensagens apreendidas mostram Roberta mencionando acionar Lulinha para ajudar o Careca em projetos na área da saúde. O grupo tentou viabilizar contratos no Ministério da Saúde, entre eles uma proposta de R$ 627 milhões para fornecimento de medicamentos à base de cannabis. Os contratos não avançaram, e as defesas negam irregularidades.
O senador Carlos Viana, que presidiu a CPMI do INSS, cobrou do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que identifique eventual processo sobre o sigilo e viabilize uma análise urgente da restrição. Viana lembrou o empenho de Fachin na abertura dos arquivos do Banco Master e afirmou: "Não pode haver um princípio de transparência para o Banco Master e outro para o escândalo do INSS".
A CPMI do INSS encerrou seus trabalhos em março sem aprovar relatório final.
Principais informações
- Senado mantém sigilo de 100 anos sobre os registros de visitas do Careca do INSS desde 2025
- Advocacia do Senado citou proteção de dados pessoais e prerrogativas parlamentares
- PF investiga Lulinha em três apurações, uma delas sobre tráfico de influência ligado ao Careca
- Investigadores rastrearam R$ 1,5 milhão em cinco transferências de empresa ligada ao Careca para a empresa da lobista Roberta Luchsinger
- CPMI do INSS terminou em março sem relatório final; senador Carlos Viana cobrou posição de Fachin sobre o sigilo

