PF apreende declaração em que produtora de ‘Dark Horse’ relata pressões para delação contra Flávio Bolsonaro

PF apreende declaração em que produtora de 'Dark Horse' relata pressões para delação contra Flávio Bolsonaro

A Polícia Federal apreendeu na casa de Karina Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, um documento de quatro páginas no qual a empresária relata ter recebido abordagens para firmar uma delação premiada contra Flávio Bolsonaro. A apreensão ocorreu durante o cumprimento de mandados de busca na quinta-feira. Karina é responsável pelo filme Dark Horse, longa sobre a vida de Jair Bolsonaro protagonizado pelo ator Jim Caviezel. As informações foram divulgadas pela revista Veja.

De acordo com a publicação, o documento é uma declaração juramentada que descreve três abordagens.

A primeira envolve o empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney, do Maranhão. Segundo o relato, ele procurou a produtora em 20 de maio e a conversa ocorreu em 22 de maio, às 9h07. Na ocasião, teria oferecido apoio jurídico, afirmado ter grande proximidade com o ministro do STF Flávio Dino e dito que poderia apoiá-la caso quisesse fazer uma delação premiada.

Karina afirma ter recusado de imediato, por não identificar razão para adotar a medida. Diz que sua posição sempre foi esclarecer os fatos com a apresentação de documentos e o exercício do direito de defesa.

No documento, ela ressalva que a menção à proximidade com Flávio Dino partiu exclusivamente de Fernando Sarney. Afirma que não presenciou conversa entre os dois e que não tem elementos para dizer que o ministro tivesse conhecimento, participação ou envolvimento no contato.

A segunda abordagem teria partido de um pastor evangélico amigo de longa data, que ligou em 27 de agosto, às 11h22, alegando proximidade com integrantes do governo federal e ministros do STF. Ele teria dito que pessoas ligadas a essas autoridades pediram que transmitisse a possibilidade de delação, apresentada como forma de afastá-la do risco de uma complicação, e que, se colaborasse, não seria alvo de operação policial.

A terceira envolve um jornalista que, segundo ela, já havia questionado antes a possibilidade de delação, incentivando-a a fazê-la. No novo contato, ele afirmou que ela estaria servindo de bucha de canhão para o candidato, em aparente referência ao contexto político dos fatos investigados, dando a entender que, sem colaboração, poderia ser alvo de medidas judiciais.

Karina diz que a proximidade temporal e a convergência temática dos contatos lhe causaram preocupação e fundado receio de interferências ou pressões políticas sobre sua situação jurídica. Sustenta que, como não cometeu irregularidade e não fez delação, teme ser alvo de operação policial por retaliação, e afirma registrar o relato para preservar os fatos e permitir verificação posterior pelas autoridades.

O documento não traz provas materiais das pressões descritas e consiste em declaração juramentada unilateral da empresária.

Principais informações

  • A PF encontrou documento de quatro páginas na casa de Karina Gama, produtora do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
  • Na declaração juramentada, ela relata três abordagens para que firmasse delação premiada contra Flávio Bolsonaro.
  • Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney, teria mencionado proximidade com o ministro do STF Flávio Dino.
  • Karina ressalva que a menção a Dino partiu só de Sarney e que não há elementos de envolvimento do ministro.
  • O documento é uma declaração unilateral e não apresenta provas materiais das pressões.

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