EUA retomam mediação da guerra na Ucrânia com proposta de paz levada a Moscou

EUA retomam mediação da guerra na Ucrânia com proposta de paz levada a Moscou

Os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner chegaram no sábado, 5, a Moscou com uma nova proposta de paz apresentada pelo presidente Donald Trump para encerrar a guerra na Ucrânia.

Eles foram recebidos no aeroporto de Vnukovo pelo enviado presidencial russo Kirill Dmitriev, que já havia participado de encontros anteriores com Vladimir Putin. A visita marca a retomada da mediação americana após sete meses.

O movimento ocorre depois de uma escalada de contatos. Em 25 de agosto, o diretor da CIA, John Ratcliffe, esteve secretamente em Moscou, onde conversou com Sergey Naryshkin, do serviço de inteligência SVR, e Alexander Bortnikov, do FSB. Entre os assuntos esteve a possibilidade de uma reunião entre Trump, Putin e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Ratcliffe não se encontrou pessoalmente com Putin.

A visita ocorre em meio à tensão entre Moscou e a Otan, que faz exercícios militares no Ártico e no Báltico, considerados ameaça pelo governo russo. Na sexta-feira, Trump disse que os enviados levavam uma proposta para encerrar o conflito: “Temos uma ideia para a paz”, afirmou, dizendo haver “uma boa chance” de acordo.

Mais cedo neste ano, reuniões em Genebra e Abu Dhabi foram infrutíferas. O principal impasse era territorial: Moscou exigia concessões da Ucrânia, e Kiev recusava entregar áreas que ainda controlava.

No novo cenário, Putin está mais pressionado. A Ucrânia aumentou o custo da guerra dentro do território russo. Em 26 de agosto, um ataque atingiu a refinaria Lukoil-Nizhegorodnefteorgsintez, em Kstovo, e suspendeu as operações da unidade. Em 1º de setembro, a refinaria da Novatek em Ust-Luga, no oblast de Leningrado, teve dutos e instalações danificados.

Na quinta-feira 3 e na sexta-feira, novos ataques atingiram dois depósitos de petróleo em Adler, no sul da Rússia, além de instalações petroquímicas e da indústria de defesa. Segundo a Reuters, a produção de diesel caiu cerca de 10% em abril e outros 10% em maio; os ataques a refinarias também reduziram a oferta doméstica e levaram a restrições às exportações de combustíveis.

Zelensky, por sua vez, enfrenta ofensiva aérea russa e crise política. A demissão do ministro da Defesa, Mikhailo Fedorov, em 15 de julho, provocou protestos. Zelensky citou o conflito entre Fedorov e o comandante das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi, sobre mobilização e reformas. Fedorov rebateu, culpou Syrskyi por problemas na estrutura militar e passou a defender eleições durante a guerra, desafiando Zelensky.

O Kremlin sustenta que as exigências de Putin continuam inalteradas: a Ucrânia teria de abrir mão das quatro regiões reivindicadas pela Rússia e desistir de ingressar na Otan. Após as conversas em Moscou, Witkoff e Kushner devem viajar para Kiev no domingo, segundo Zelensky, na primeira visita deles à capital ucraniana desde o início da guerra.

Principais informações

  • Steve Witkoff e Jared Kushner levaram a Moscou uma proposta de paz de Trump em nova rodada de mediação.
  • O chefe da CIA, John Ratcliffe, esteve secretamente em Moscou em 25 de agosto para conversas com chefes da inteligência russa.
  • Ataques ucranianos a refinarias e instalações energéticas russas reduziram a produção de diesel e levaram a restrições de exportação.
  • O Kremlin mantém as exigências de Putin pela saída da Ucrânia de quatro regiões e pela desistência de ingresso na Otan.
  • Witkoff e Kushner devem viajar a Kiev no domingo, na primeira visita deles à capital ucraniana desde o início da guerra.

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