Casa Agro em São Paulo debate comunicação do agronegócio e educação sobre o campo

A 4ª edição do Casa Agro, realizada na quarta-feira (26) na cidade de São Paulo, discutiu a comunicação do agronegócio e a educação básica sobre o campo. O evento foi mediado pelo idealizador Diogo Luchiari, também sócio e vice-presidente da Macfor, e contou com o jornalista da Revista Oeste Adalberto Piotto e a presidente da Associação De Olho no Material Escolar, Letícia Jacintho.
Promovido pela Associação de Desenvolvimento, Inovação e Mercado do Agronegócio (Adimag), o encontro apontou que o setor deve contar a própria história com dados, exemplos e resultados, em vez de delegar sua imagem a pessoas desinformadas. Também foi ressaltada a necessidade de valorizar as conquistas nacionais e ampliar o conhecimento produzido nas fazendas.
Piotto afirmou que o agro brasileiro produz com competência, mas não informa por incompetência, e comparou a importância do setor à tecnologia desenvolvida no Vale do Silício. “Hoje, 1 bilhão de pessoas comem porque o Brasil produz comida”, disse. Ele também questionou a ideia de que o produtor nacional depende da China, lembrando que o país tem excedente para alimentar 800 milhões de pessoas.
O jornalista avaliou que o setor tem material de sobra para trabalhar a comunicação, mas precisa de atitude e coragem para desconstruir a imagem negativa do campo. “Na comunicação, se você não entrar no embate, você vai perder”, afirmou. “Se você não falar, aquele sujeito que quer te defender não vai ter argumento. Você precisa dar argumento para ele.”
Letícia Jacintho acrescentou que os desafios do agro envolvem o que é ensinado nas escolas, com materiais didáticos que frequentemente acusam o setor de desmatar, usar “veneno” e prejudicar o meio ambiente. Ela fundou a Associação De Olho no Material Escolar em 2021, que monitora livros didáticos e intervém quando há informações desconexas da realidade.
A presidente relatou ter levado uma editora para conhecer o trabalho no campo e disse que a equipe se surpreendeu com a tecnologia presente na fazenda. Ela citou colheitadeira automatizada, operador com fone de ouvido em ambiente climatizado e uma sala com cem computadores controlando máquinas em um raio de 120 quilômetros. “Vim filmar o trabalho escravo e você me mostrou a Nasa”, teria dito um dos visitantes.
Para Letícia, o cenário é desafiador, mas há recursos para levar a verdade aos livros didáticos, dependendo de boa vontade do poder público e integração de políticas públicas. Ela afirmou que a associação conseguiu incluir na lei a exigência de evidências científicas nos materiais didáticos, impedindo que acusações sem fonte comprovada sejam reproduzidas.
Principais informações
- 4ª edição do Casa Agro aconteceu em São Paulo na quarta-feira (26).
- Jornalista Adalberto Piotto afirmou que o agro produz com competência, mas não informa por incompetência.
- Presidente da Associação De Olho no Material Escolar, Letícia Jacintho, defendeu o combate a materiais didáticos enviesados.
- Participantes concluíram que o setor deve contar sua própria história com dados e resultados.
- Letícia cobrou evidências científicas nos livros didáticos e integração de políticas públicas.

