Lula evita debates e interrompe entrevista sobre caso de filho e chefe de gabinete

Nesta terça-feira, o presidente Lula interrompeu uma entrevista ao ser perguntado sobre os negócios do filho Lulinha e do chefe de gabinete Marcola. A reação ocorre depois que a revista Veja publicou mensagens obtidas pela Polícia Federal sobre um suposto esquema de tráfico de influência no governo.
As mensagens mostram articulações da lobista Roberta Luchsinger com empresários interessados em contratos públicos sem licitação. Segundo as conversas, a lobista recebia dinheiro desses empresários e usava parte para pagar despesas pessoais de Marcola, como faturas de cartão, joias e o financiamento de um carro, além de viagens de luxo para Lulinha.
O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal porque o favorecimento financeiro a Marcola e a Lulinha coincidiu com o período em que Roberta mantinha reuniões no governo para intermediar negócios. Para a Polícia Federal, a conduta configura tráfico de influência.
Quando o esquema veio a público, Marcola devolveu os valores e alegou que eram empréstimos. A defesa de Lulinha nega qualquer envolvimento em crimes.
Diante das revelações, Lula tem evitado debates na campanha para não ter de responder sobre o filho ou sobre o auxiliar. O governo afirma que o presidente não sabia das ações e que Lulinha teria sido usado por amizades.
Lulinha já havia aparecido em investigações envolvendo a Oi e a extinta Gamecorp, período em que a PF apontou que mais de 100 milhões de reais passaram por suas contas. Em outro caso, Rosemary Noronha, chefe de gabinete de Lula em São Paulo no primeiro mandato de Dilma Rousseff, foi alvo da PF por irregularidades.
Nos bastidores, a defesa pressiona para anular as investigações em curso no STF, buscando nulidades processuais. Segundo a reportagem, não há nulidades reais no caso.
Principais informações
- Lula encerrou uma entrevista após ser questionado sobre negócios do filho Lulinha e do chefe de gabinete Marcola.
- Mensagens obtidas pela PF indicam que uma lobista pagava despesas de Marcola e viagens de Lulinha.
- A PF classifica o caso como tráfico de influência.
- O caso tramita no STF; a defesa de Lulinha nega crimes.
- Lula tem evitado debates para não responder sobre o assunto.

