Dez candidatos com patrimônio acima de R$ 500 mil receberam Bolsa Família e outros auxílios

Pelo menos dez candidatos nas eleições deste ano declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) patrimônio superior a R$ 500 mil e, ao mesmo tempo, receberam benefícios sociais como Bolsa Família, Auxílio Brasil, Auxílio Emergencial e Gás do Povo. O levantamento é do jornal O Estado de S. Paulo. Segundo os dados, o governo federal gastou mais de R$ 321 mil com esses benefícios para o grupo.
Três dos candidatos têm patrimônio milionário. O candidato a deputado estadual em Goiás Sérgio Francisco (DC) informou R$ 1,2 milhão em bens, incluindo imóveis, terrenos e veículos, e recebeu R$ 24 mil do Bolsa Família e do Auxílio Emergencial em dois períodos. Ele afirmou que sofreu um acidente, não tinha o que comer e que ainda paga as prestações de dois lotes.
Também em Goiás, a candidata a deputada federal Talita Lemke (PDT) declarou R$ 1,09 milhão e recebeu R$ 34,5 mil dos programas. Ela disse ser pequena produtora rural, sem renda fixa, e que a propriedade declarada foi recebida por herança. A candidata a deputada estadual em Roraima Mirian Moreira (PL), agricultora, informou um terreno de R$ 1 milhão e obteve R$ 46,1 mil em benefícios desde 2013.
Entre os demais, o candidato mineiro Reginaldo dos Anjos do Santo (Agir) declarou R$ 870 mil e recebeu R$ 18,9 mil; a empresária Adelaide Pereira Cardoso (PL), de Tocantins, tem R$ 700 mil e recebeu R$ 32,4 mil; e Cristiane Nascimento Pereira (Podemos), candidata a deputada federal por São Paulo, tem R$ 695 mil e recebeu R$ 39,8 mil.
A candidata capixaba Bruna Soares (Republicanos) declarou R$ 600 mil e recebeu R$ 40,6 mil; ela afirmou que houve erro na inserção dos dados e que os atualizará. Jucelma Oliveira da Silva (PSD), de Mato Grosso, tem R$ 600 mil e recebeu R$ 252,18 do Gás do Povo e mais de R$ 10 mil do Auxílio Emergencial. Ricardo Silva Santos (PT), do Rio de Janeiro, declarou R$ 569,9 mil e recebeu R$ 36,1 mil; Adão Alves da Silva (PSB), de Goiás, tem R$ 545 mil e recebeu R$ 38,2 mil do Bolsa Família.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome informou que não há norma que limite patrimônio para receber os benefícios, mas que apura os casos. Segundo a pasta, todos os citados estão sujeitos à interrupção do pagamento, à devolução dos valores e ao impedimento de atendimento pelo Bolsa Família por cinco anos caso sejam confirmadas irregularidades. Beneficiários podem concorrer a cargos eletivos, mas os pagamentos são interrompidos quando tomam posse.
Principais informações
- Dez candidatos com patrimônio acima de R$ 500 mil receberam Bolsa Família, Auxílio Emergencial, Auxílio Brasil ou Gás do Povo.
- O governo federal gastou mais de R$ 321 mil com esses benefícios para o grupo.
- Sérgio Francisco (DC), com R$ 1,2 milhão em bens, é o político com maior patrimônio entre os que recebem auxílio.
- O Ministério do Desenvolvimento Social apura os casos e pode exigir devolução dos valores.
- Beneficiários não são impedidos de concorrer, mas perdem o pagamento ao tomar posse.

