Embrapa e Sabesp desenvolvem tecnologia que transforma lodo de tratamento de água em fertilizante

A Embrapa e a Sabesp desenvolveram uma tecnologia que converte o lodo gerado em estações de tratamento de água em fertilizante de liberação lenta de nutrientes. Os resultados foram divulgados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
O método usa um processo químico para diminuir a presença de alumínio no resíduo, reduzindo os riscos ligados a esse elemento, e para incorporar nitrogênio e potássio ao material. A proposta é deixar de tratar o lodo apenas como problema de descarte e passá-lo a insumo para o setor agrícola.
Em testes com gramíneas, o fertilizante teve eficiência agronômica até três vezes maior que a do grupo de controle. O estudo também apontou ganho expressivo na produção de biomassa e na absorção de nutrientes pelas plantas.
A Sabesp gera hoje cerca de 124 mil toneladas de lodo por ano em suas 208 estações de tratamento no estado de São Paulo. O transporte e a destinação desse resíduo custam, em média, R$ 300 por tonelada, despesa que a tecnologia pode ajudar a reduzir, segundo a divulgação.
Para o coordenador do projeto na Embrapa Instrumentação, Caue Ribeiro, o processo permite transformar um material que gerava custos de manejo em insumo agrícola com valor agregado.
A pesquisa levou quatro anos e recebeu mais de R$ 2,7 milhões em investimentos. O trabalho envolveu diferentes unidades da Embrapa e teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Os pesquisadores observaram ainda que os grânulos fertilizantes mantiveram preservada, por quase cinco meses, uma bactéria benéfica ao desenvolvimento das plantas.
A tecnologia segue em fase experimental e ainda não está disponível para comercialização. A próxima etapa é buscar parceiros industriais para testar a produção em larga escala e fazer avaliações em campo. Depois disso, o objetivo é obter registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária para viabilizar o uso no mercado.
Principais informações
- Tecnologia da Embrapa com a Sabesp transforma lodo de estações de tratamento de água em fertilizante de liberação lenta.
- Processo químico reduz o alumínio e adiciona nitrogênio e potássio ao resíduo.
- Em testes com gramíneas, a eficiência agronômica foi até três vezes maior que a do grupo de controle.
- A Sabesp produz cerca de 124 mil toneladas de lodo por ano em 208 estações, com custo médio de R$ 300 por tonelada para transporte e destinação.
- A tecnologia está em fase experimental e depende de parceiros industriais e de registro no Ministério da Agricultura e Pecuária.

