Promotor Lincoln Gakiya, que investiga o PCC, é cotado para Ministério da Segurança de Lula

Promotor Lincoln Gakiya, que investiga o PCC, é cotado para Ministério da Segurança de Lula

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo em Presidente Prudente, é um dos nomes cotados para assumir o possível Ministério da Segurança Pública no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A eventual nomeação depende da aprovação da criação da pasta pelo Congresso Nacional.

A possibilidade surgiu após um jantar na casa do advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo jurídico da campanha de Lula em São Paulo, realizado poucos dias antes do segundo turno. Segundo ele, não houve convite formal e Lula ainda não havia autorizado convites para a composição da equipe. Gakiya não comentou oficialmente o assunto; conforme relatos sobre o encontro, disse que estaria à disposição caso fosse chamado. O ex-ministro da Educação Camilo Santana também foi mencionado para o cargo.

Natural de Presidente Prudente, Gakiya assumiu a Promotoria de Justiça do município em 1996 e, desde o início dos anos 2000, investiga o PCC, facção que classifica como a primeira máfia do Brasil. Cerca de dez anos depois de sua chegada, lideranças do grupo foram transferidas para a região, entre elas unidades prisionais de Presidente Venceslau, o que tornou o trabalho ainda mais sensível.

Em fevereiro de 2019, o promotor foi autor do pedido de transferência de 22 integrantes do PCC para penitenciárias federais de segurança máxima, entre eles Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como um dos principais líderes da facção. A medida foi adotada após o Ministério Público identificar um plano para resgatar os líderes, então presos em Presidente Venceslau. Em julho do mesmo ano, cartas encontradas em uma revista na prisão traziam ordens de ataque a agentes públicos, e Gakiya estava entre os alvos.

As ameaças alteraram sua rotina: ele vive sob escolta policial armada 24 horas por dia há mais de uma década. Relatou receber ameaças desde pelo menos 2005, quando estava em licença-paternidade do segundo filho, e afirmou que a presença dos seguranças constrangia outras pessoas. Em março de 2023, disse que quase mensalmente surgia um plano para matá-lo. Em maio de 2025, declarou esperar que o Estado não o deixe sem proteção quando se aposentar.

Em outubro de 2025, uma investigação do MP-SP e da Polícia Civil apontou um suposto plano para matar Gakiya e Roberto Medina, então coordenador de presídios da região Oeste. Na Operação Recon, suspeitos teriam alugado uma casa a menos de um quilômetro da residência do promotor para monitorar sua rotina e a de policiais de sua escolta, com a intenção de atacá-lo no trajeto entre casa e trabalho. A apuração começou em julho de 2025, a partir do celular de um homem preso por tráfico, e cumpriu 25 mandados de busca em cidades da região.

Em julho de 2025, Gakiya recebeu o Colar do Mérito do Ministério Público de São Paulo. É também coautor do livro Segurança Pública: Brasil livre das máfias, lançado em 2025 em parceria com o jurista Walfrido Warde, que propõe medidas como a criação de uma agência nacional antimáfia.

Principais informações

  • Lincoln Gakiya integra o Gaeco do Ministério Público de São Paulo em Presidente Prudente e atua contra o PCC.
  • A citação para o Ministério da Segurança surgiu após jantar com o advogado Marco Aurélio de Carvalho; não houve convite formal.
  • A criação da pasta depende de aprovação do Congresso Nacional; Camilo Santana também foi mencionado.
  • Em 2019, Gakiya pediu a transferência de 22 integrantes do PCC, incluindo Marcola, para presídios federais.
  • Ele vive sob escolta armada permanente e, em 2025, uma operação apontou suposto plano para matá-lo.

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