Dólar sobe 8,41% após vitória de Lula e tem maior alta diária desde 1999

Dólar sobe 8,41% após vitória de Lula e tem maior alta diária desde 1999

O dólar encerrou o pregão da segunda-feira (26) cotado a R$ 5,409, com avanço de 8,41%. Foi a maior alta diária da moeda americana desde janeiro de 1999, quando teve início o regime de câmbio flutuante no Brasil. O movimento ocorreu após a vitória de Lula nas eleições.

Antes do câmbio flutuante, o país operava com um sistema de bandas cambiais, no qual a cotação era mantida dentro de limites definidos pelo governo. A última variação diária tão intensa havia sido registrada em 15 de janeiro de 1999, quando a moeda subiu 11% em uma única sessão.

A Bolsa também registrou forte queda. O índice fechou o dia com recuo de 13,88%, aos 176.608 pontos, a maior desvalorização diária desde 16 de março de 2020, quando caiu 13,92% em meio aos impactos da pandemia de coronavírus sobre a economia global.

Durante o pregão, a B3 acionou o circuit breaker pela primeira vez desde 2020 para conter a volatilidade. O mecanismo interrompe temporariamente as negociações em momentos de quedas acentuadas, paralisando operações com ações, derivativos e títulos de renda fixa privada, de modo que o mercado tenha um intervalo para assimilar as oscilações.

Segundo o material, a volatilidade foi impulsionada pela vitória de Lula. Para investidores, a continuidade do petista no comando do Executivo amplia o temor de que não sejam adotadas medidas suficientes para ajustar as contas públicas. A expectativa de menor controle fiscal tende a elevar o prêmio de risco exigido para financiar o governo, pressionando os juros futuros. Taxas mais altas podem encarecer o crédito para as empresas e reduzir as perspectivas de lucro, o que pressiona o mercado acionário.

O JP Morgan rebaixou a recomendação do real e dos títulos públicos nacionais de "overweight" para "marketweight" após o resultado. De acordo com Vinicius Moreira e sua equipe, o resultado, considerado inesperado, deve levar a uma "reavaliação significativa" dos ativos.

"O descompasso de expectativas do mercado em relação ao resultado das urnas resultou em um movimento generalizado de liquidação na Bolsa, evidenciando a cautela dos investidores em relação às futuras diretrizes econômicas e fiscais do país", afirmou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

O movimento reverte a valorização registrada após o primeiro turno. Naquele momento, prevalecia a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e de um ajuste fiscal mais rigoroso sob seu governo. No pregão seguinte à primeira rodada, a Bolsa subiu 7,70%, aos 206.911 pontos, recorde em termos nominais e reais, e o dólar caiu 4,11%, a R$ 5,001, maior queda diária desde 2018, quando recuou 5,50%.

Com as oscilações desta segunda-feira, o dólar voltou ao patamar de dezembro de 2025 e apagou a desvalorização acumulada em relação ao real ao longo do ano. A Bolsa recuou ao menor nível desde junho.

Para os analistas, a trajetória do dólar e da Bolsa no médio prazo dependerá das sinalizações sobre a política fiscal. "Pode haver um movimento muito forte no pós-eleição, mas sua consolidação vai depender das medidas do candidato eleito. A depender de como o vencedor conduzir a política fiscal, podemos ter uma reversão das expectativas iniciais", disse João Daronco, analista da Suno Research.

Principais informações

  • Dólar avançou 8,41% e encerrou o pregão a R$ 5,409, maior alta diária desde janeiro de 1999
  • Bolsa caiu 13,88%, aos 176.608 pontos, maior desvalorização diária desde março de 2020
  • A B3 acionou o circuit breaker pela primeira vez desde 2020 durante o pregão
  • JP Morgan rebaixou a recomendação do real e dos títulos públicos de "overweight" para "marketweight"
  • Movimento reverte a alta registrada após o primeiro turno, quando a Bolsa subiu 7,70% e o dólar caiu 4,11%

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