CEO da Nexus diz que favoritismo no 2º turno está com Flávio Bolsonaro

CEO da Nexus diz que favoritismo no 2º turno está com Flávio Bolsonaro

O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, avaliou em entrevista ao Bastidores CNN nesta terça-feira (6) que o favoritismo na disputa presidencial do segundo turno está hoje no campo bolsonarista. Na avaliação dele, Lula precisa crescer pelo menos 2,3 milhões de votos a mais do que Flávio Bolsonaro para vencer.

Tokarski destacou que o Brasil nunca havia registrado diferença tão pequena entre o primeiro e o segundo colocados em um primeiro turno presidencial. Flávio Bolsonaro (PL) encerrou a votação com cerca de 2,2 milhões de votos de vantagem sobre Lula.

A comparação feita por ele foi com 2022, quando Lula (PT) abriu o segundo turno com 6,1 milhões de votos de frente e terminou a disputa com 2,1 milhões de diferença, uma redução de 4 milhões. Segundo o analista, um feito equivalente de Lula neste ano superaria Flávio Bolsonaro.

O analista ponderou, porém, que nunca houve virada de primeiro para segundo turno nas eleições presidenciais brasileiras e afirmou que os números são bastante cruéis para Lula.

Entre os fatores que beneficiaram o candidato bolsonarista, Tokarski apontou o voto útil nos últimos dias antes da eleição. A terceira via registrava cerca de 12% dos votos válidos na segunda-feira anterior à votação e caiu para aproximadamente 7,8% das urnas. Para ele, fica a dúvida sobre quem migrou e se a migração veio apenas do eleitorado de Flávio, o que reduziria o contingente que votou nas chamadas terceiras opções.

A abstenção, conforme o analista, também teria retirado votos de Lula, com concentração entre eleitores de baixa renda, baixa escolaridade e acima de 60 anos.

Tokarski ressaltou que ainda não se sabe para quem irão os cerca de 8,8 milhões de votos dados no primeiro turno a candidatos como Renan Santos (Missão), Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP), entre outros. Ele lembrou que pesquisas internas já circulam, mas as divulgadas ainda não saíram.

O CEO da Nexus chamou atenção para o fato de 20 estados não terem disputa para governador no segundo turno. Nesse cenário, 92% do eleitorado terá apenas o voto para presidente como motivação para sair de casa, o que coloca às campanhas de Lula e de Flávio o desafio de conquistar um eleitorado que, em tese, tende a rejeitar os dois candidatos.

Ao tratar das estratégias, Tokarski avaliou que apoios partidários influenciam pouco o comportamento do eleitor e citou o exemplo de Caiado. Na visão dele, a batalha principal seguirá no Sudeste, onde Flávio ampliou vantagem em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e em 26 das 27 unidades da federação a vantagem de Lula diminuiu ou a bolsonarista cresceu.

Sobre a campanha do PT, o analista disse que ela deve focar em desgastar a figura de Flávio Bolsonaro e do bolsonarismo, mas ponderou que esses temas já estariam bastante precificados em parte do eleitorado, que votou em Flávio mesmo conhecendo esse conteúdo. Já a campanha de Flávio terá, segundo ele, o desafio de não cometer erros.

Principais informações

  • Tokarski afirma que o favoritismo no segundo turno está no campo bolsonarista
  • Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com cerca de 2,2 milhões de votos a mais que Lula
  • Lula precisaria crescer pelo menos 2,3 milhões de votos a mais que Flávio para vencer
  • Cerca de 8,8 milhões de votos do primeiro turno seguem em aberto, segundo o analista
  • Em 20 estados não há disputa de governador, e 92% do eleitorado teria só o voto presidencial como motivação

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