Trump diz que acompanha ‘muito de perto’ as eleições brasileiras

Trump diz que acompanha 'muito de perto' as eleições brasileiras

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira, 1º, que acompanha com atenção a eleição presidencial brasileira, marcada para domingo, 4. Ao responder a jornalistas na saída da Casa Branca, ele disse que acompanha "muito de perto" o pleito, chamou o Brasil de país "muito importante" e elogiou sua população. Não citou nenhum candidato nem declarou apoio a qualquer concorrente.

A votação ocorre neste domingo, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca mais um mandato. Seu principal adversário é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A declaração é dada num momento de atritos diplomáticos entre os dois países. Desde que voltou à Presidência dos EUA, Trump adotou medidas comerciais contra o Brasil e criticou decisões do Supremo Tribunal Federal ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado em setembro de 2025 por suposta tentativa de golpe de Estado. Trump contestou a decisão e classificou o tratamento dado ao ex-presidente como perseguição política.

Em julho, o governo norte-americano voltou a estabelecer tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, justificando a medida com práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses dos EUA. O governo Lula atribuiu motivação política à decisão.

A postura de Washington diante da disputa brasileira também passou a ser questionada por setores da oposição nos EUA. Nesta semana, três senadores democratas enviaram carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, cobrando garantias de que o governo não tentará influenciar o resultado das urnas.

Segundo reportagem da Reuters publicada na quarta-feira, 30, integrantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apresentaram a delegações da França e da Alemanha suspeitas de interferência dos EUA e da Rússia no processo eleitoral brasileiro. Os encontros ocorreram entre 9 e 11 de setembro, em Brasília, e trataram também de segurança digital e de possível ação coordenada contra ameaças ao pleito.

As alegações não constituem comprovação de interferência, e o Departamento de Estado já havia negado que Washington tente influenciar a eleição brasileira.

Apesar das divergências políticas e comerciais, Lula e Trump mantiveram uma relação pessoal marcada por manifestações de cordialidade, inclusive em conversa telefônica em agosto, menos de dois meses antes das eleições, que teve como tema a volta das tarifas.

Trump não declarou apoio a Flávio Bolsonaro nesta quinta-feira e não rompeu com Lula, mas mantém proximidade com a família do ex-presidente. Em maio, Flávio foi recebido pelo republicano no Salão Oval da Casa Branca. Integrantes da família Bolsonaro também têm mantido contatos com representantes do governo norte-americano.

Principais informações

  • Trump disse a jornalistas na Casa Branca que acompanha "muito de perto" as eleições brasileiras e não indicou preferência por candidato.
  • A votação está marcada para domingo, 4, com Lula buscando mais um mandato e o senador Flávio Bolsonaro como principal adversário.
  • Os EUA voltaram a impor tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros em julho, medida que o governo Lula atribui a motivação política.
  • Três senadores democratas cobraram do Departamento de Estado garantias de que Washington não tentará influenciar o resultado das urnas.
  • Segundo a Reuters, a Abin relatou a delegações da França e da Alemanha suspeitas de interferência dos EUA e da Rússia no processo eleitoral.

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