TRF4 aplica perda do cargo a ex-juiz da Lava Jato Eduardo Appio

O juiz federal Eduardo Appio, conhecido por sua passagem pela Operação Lava Jato em Curitiba, foi punido com a perda do cargo pela Corte Especial Administrativa do TRF4 nesta quinta-feira, 27. Ele responde a acusação de ter furtado duas garrafas de champanhe em um supermercado de Blumenau (SC).
O placar foi de 14 votos pela punição e dois contra. A medida, porém, não é definitiva: o processo segue para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que decidirá se a mantém. Até lá, Appio fica sem receber salários.
Em nota, Appio afirmou que a decisão é "injusta e desproporcional" e que confia na reversão pelo CNJ. Ele usou seus 32 anos de serviço público como argumento contra a punição.
Antes do caso do furto, o magistrado já era alvo de atenção por posições políticas. Ele fez doações a campanhas de Lula em 2018 e 2022, usava a senha "Lul2022" no sistema da Justiça Federal e justificou a escolha como protesto contra a prisão do petista, que considerava ilegal. Apesar disso, negava ser petista.
Em fevereiro de 2023, Appio assumiu processos remanescentes da Lava Jato e declarou considerar Lula inocente do ponto de vista judicial, depois da anulação das condenações. Também fez críticas a Sergio Moro e Deltan Dallagnol. Por causa dessas manifestações, o MPF chegou a pedir a suspeição dele.
A acusação de furto começou a ser apurada em 2025, quando o TRF4 abriu processo administrativo disciplinar contra Appio. As garrafas, da marca Moët & Chandon, foram avaliadas em R$ 540 cada. O juiz foi afastado das funções em novembro daquele ano.
Na época, Appio disse que tudo não passou de um "mal-entendido" e que sofria perseguições. Este não foi o primeiro afastamento dele: em 2023, após cerca de três meses na 13ª Vara Federal de Curitiba, ele foi afastado por suposto telefonema anônimo ao filho do desembargador Marcelo Malucelli. Depois, admitiu "conduta imprópria" e aceitou não voltar à vara.
Principais informações
- TRF4 aplicou perda do cargo ao juiz Eduardo Appio por acusação de furto de champanhe.
- Decisão teve 14 votos a favor e 2 contra e ainda passará pelo CNJ.
- Appio fez doações para campanhas de Lula e usava senha "Lul2022".
- Ele já havia sido afastado em 2023 após episódio de telefonema anônimo.
- Magistrado disse que punição é injusta e desproporcional.

