Semob atualiza tarifa de ônibus para recompor aumento dos custos e manter subsídio de 61%

Semob atualiza tarifa de ônibus para recompor aumento dos custos e manter subsídio de 61%

Após quase quatro anos sem reajuste, a Prefeitura de Presidente Prudente, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Cooperação em Segurança Pública (Semob), anuncia a atualização no preço da tarifa do transporte coletivo urbano, conforme publicado no Diário Oficial desta quarta-feira (21/10). O valor passará de R$ 5,00 para R$ 6,00, a partir do dia 01 de novembro.

A tarifa estava congelada desde janeiro de 2023 e, neste período, foram acumulados novos custos operacionais do sistema, como combustíveis, salários, encargos trabalhistas, peças, pneus, manutenção, seguros e demais despesas indispensáveis para manter os ônibus em circulação, os quais sofreram sucessivas elevações acompanhando a inflação anual. A estimativa é de que o município suportou, com recursos próprios, aproximadamente R$ 54 milhões em subsídios destinados à cobertura dos custos operacionais do serviço sem qualquer reajuste do valor da tarifa cobrada aos usuários.

Mesmo diante da elevação dos custos, a Administração Municipal continuará subsidiando a maior parte do transporte coletivo, evitando que o valor integral necessário para manter o serviço seja repassado aos passageiros.

Segundo os dados apresentados pela Semob, a tarifa técnica (custo efetivo do serviço) é de aproximadamente R$ 15,23 por passageiro. Com a passagem fixada em R$ 6,00, o usuário pagará cerca de 39% desse valor, enquanto a diferença, superior a R$ 9,00 por passageiro, continuará sendo custeada por recursos públicos e outras fontes de custeio.

Em outras palavras, se a Prefeitura deixasse de subsidiar o transporte coletivo e transferisse integralmente os custos do sistema aos passageiros, a tarifa necessária seria de aproximadamente R$ 15,23.

Reajuste acompanha a evolução dos custos

Entre janeiro de 2023 e julho de 2026, a inflação acumulada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) foi de aproximadamente 18,3%. No mesmo intervalo, o custo operacional por quilômetro rodado passou de R$ 10,07 para R$ 12,07, uma elevação de aproximadamente 20%.

Ainda segundo a Semob, a atualização da tarifa busca recompor parte dos valores necessários à operação do transporte coletivo, preservando o subsídio municipal para evitar que o aumento dos custos seja integralmente transferido aos usuários.

Ministério Público

A revisão também ocorre em meio a questionamentos do Ministério Público do Estado de São Paulo. O órgão solicitou esclarecimentos sobre a ausência de reajuste anual da tarifa pública, os motivos para a manutenção do valor, a existência de manifestações técnicas sobre a atualização e a situação financeira do sistema.

Nesse contexto, a Prefeitura considera a necessidade de conciliar o valor cobrado dos passageiros com a evolução das despesas operacionais e a capacidade de financiamento do sistema, mantendo o subsídio municipal como instrumento para reduzir o impacto da tarifa sobre a população.

Tentativa

Antes de definir a atualização tarifária, a Semob avaliou alternativas para reduzir os custos operacionais, incluindo a reorganização de linhas, itinerários e horários, especialmente nos serviços com menor demanda.

A proposta buscava adequar a oferta de transporte à utilização observada, reduzindo a quilometragem rodada e, consequentemente, as despesas do sistema. A Prefeitura implementou mudanças nas linhas e nos horários para reduzir custos, que aconteceu no início de 2026, mas optou por retomar o modelo antigo após a reivindicação dos usuários.

A pasta segue estudando, de maneira contínua, novos formatos, alternativas e mecanismos de organização do serviço que atendam cada vez melhor à população.

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