Polícia investiga suposto ranking sexual com fotos de alunas em Presidente Prudente

Polícia investiga suposto ranking sexual com fotos de alunas em Presidente Prudente

A Polícia Civil investiga um suposto ranking sexual com fotos de estudantes de uma universidade privada em Presidente Prudente (SP). O caso veio a público em 21 de agosto, após imagens de alunas retiradas de redes sociais sem autorização circularem em um grupo fechado de mensagens com comentários de teor sexual e depreciativo.

Na lista, havia termos como “deliciosíssima”, “comível” e “arrebentaria”, além da frase “Tirei as lésbicas e as gordas”. Segundo a Polícia Civil, já foram registrados 12 boletins de ocorrência, envolvendo 16 vítimas, e os relatos estão sendo analisados.

Para Elaine Rampazo, presidente da Comissão sobre Crimes Sexuais da OAB, a objetificação sexual acontece quando a pessoa é tratada como um mero objeto de desejo e não como ser humano. O ranking seria o maior exemplo dessa conduta, porque desconsiderou a humanidade das mulheres, afirmou a advogada.

A especialista diferenciou o conceito do assédio sexual, que envolveria hierarquia, e da sexualização, que dá caráter sexual a algo que originalmente não é sexual. Na objetificação, a pessoa é desumanizada e vira apenas instrumento de utilidade sexual.

A psicóloga Isadora Zambrano, ex-aluna da mesma universidade, afirmou que a internet potencializa conteúdos misóginos, com efeito de validação mútua em grupos e ilusão de anonimato. Ela citou justificativas como “era só uma brincadeira” e “todo mundo fez”, que desqualificam a vítima, e defendeu protocolos claros com punições efetivas.

Elaine Rampazo explicou que a objetificação sexual, por si só, não é crime, mas o compartilhamento não consentido de imagens pode ser. Com nudez, sexo ou pornografia, o caso pode se enquadrar no artigo 218-C do Código Penal; sem esses conteúdos, mas com conotação sexual, pode configurar importunação sexual (artigo 215-A). Em ambos, a pena varia de um a cinco anos.

A advogada reforçou que a diferença é o consentimento e que ter fotos na internet não autoriza uso para satisfazer desejos sexuais. Quem presenciar situação assim deve informar a vítima e as autoridades, pois quem compartilha também pode sofrer consequências.

A investigação é da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Presidente Prudente. A polícia disse que as diligências continuam, sem previsão para oitivas, e que não divulgará mais detalhes para não atrapalhar os trabalhos.

A Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) informou que abriu apuração interna prioritária para identificar os autores e aplicar punições disciplinares. A instituição repudiou qualquer forma de exposição, assédio ou desrespeito e pediu que o conteúdo não seja compartilhado para evitar novos danos às vítimas.

Principais informações

  • Polícia Civil investiga suposto ranking sexual com fotos de estudantes em Presidente Prudente.
  • Doze boletins de ocorrência foram registrados; 16 vítimas estão envolvidas.
  • Objetificação sexual trata a pessoa como objeto de desejo, diz presidente da comissão da OAB.
  • Compartilhar imagens sem consentimento pode configurar crime com pena de 1 a 5 anos.
  • Universidade abriu apuração interna e pede que o conteúdo não seja compartilhado.

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