PF pede ao STF mais prazo para investigar Lulinha por suspeita de tráfico de influência

A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal a prorrogação do prazo das investigações sobre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por suspeita de tráfico de influência. De acordo com os investigadores, os 60 dias iniciais não foram suficientes para concluir as diligências, e medidas consideradas importantes continuam em andamento. Os pedidos foram protocolados em 2 de outubro e seguem aguardando decisão.
Lulinha é alvo de três inquéritos na Corte, que apuram suspeitas de tráfico de influência e de favorecimento em negócios com órgãos federais. Até o momento, conforme o material divulgado, as suspeitas não correspondem à comprovação de crime.
Dois dos pedidos de prorrogação foram enviados inicialmente ao ministro André Mendonça, responsável por duas das apurações. Agora, esses casos estão sendo encaminhados ao gabinete do presidente do Supremo, Edson Fachin. O terceiro inquérito está sob relatoria do ministro Flávio Dino e investiga suspeitas de favorecimento de empresas junto ao poder público.
Uma das frentes busca esclarecer se o empresário atuou para beneficiar negócios ligados a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, no Ministério da Saúde. O caso envolve tratativas sobre a comercialização de produtos à base de cannabis medicinal. Outra apuração examina uma possível atuação de Lulinha para favorecer uma empresa de tecnologia em negócios com a Dataprev, estatal responsável pelos sistemas de dados da Previdência Social.
Há também uma linha de investigação que envolve Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. A PF tenta esclarecer possíveis conexões entre ele, Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger, além de tratativas com integrantes do governo federal.
Os investigadores pretendem ainda rastrear movimentações financeiras e identificar quem custeou viagens feitas por Lulinha e por Roberta Luchsinger desde 2023. A intenção é cruzar esses deslocamentos com os de outros envolvidos e verificar se há relação entre as viagens, reuniões com agentes públicos e os negócios sob suspeita. Um dos episódios analisados é a viagem dos dois a Portugal em junho de 2024, dias antes de o Careca do INSS viajar para o mesmo país.
A defesa de Lulinha contesta a continuidade das apurações e classifica as novas diligências como "pesca probatória", expressão usada para criticar investigações que, segundo os advogados, buscam provas sem uma hipótese concreta sustentada. Os defensores afirmam que os extratos bancários do empresário não mostram pagamentos a Roberta Luchsinger e sustentam que o inquérito deveria ser arquivado. Os advogados de Roberta também questionam a prorrogação e defendem o encerramento das apurações.
Principais informações
- A PF alegou que os 60 dias iniciais de investigação não bastaram para concluir as diligências.
- Os pedidos de prorrogação foram enviados ao STF em 2 de outubro e seguem sem decisão.
- Lulinha é alvo de três inquéritos na Corte, um deles sob relatoria de Flávio Dino.
- As apurações envolvem a relação com o Careca do INSS, negócios com a Dataprev e a lobista Roberta Luchsinger.
- A defesa de Lulinha classifica as novas diligências como "pesca probatória" e pede o arquivamento.

