PF: lobista e Lulinha planejavam 20% de lucro em negócio com governo

PF: lobista e Lulinha planejavam 20% de lucro em negócio com governo

Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que a lobista Roberta Luchsinger, que atua no setor de cannabis medicinal, planejava obter lucro de 20% em negociação que envolvia Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o governo federal. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

As conversas também citam o advogado Otto Medeiros, descrito pela lobista como 'bem influente' e 'sócio do Cássio', em referência ao ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As menções aparecem em investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram a atuação de Roberta e Lulinha.

Segundo os documentos, o grupo pediu formalmente ao escritório de Otto uma proposta de prestação de serviços jurídicos para viabilizar a venda de subprodutos de cannabis ao governo. Em nota, Kassio negou sociedade com o advogado, mas confirmou amizade: "O ministro Kassio Nunes Marques não é e nunca foi sócio do senhor Otto Medeiros em qualquer empreendimento. Os dois mantêm uma relação de amizade, porém o ministro se declara impedido nos processos em que o advogado atua no STF."

A PF destacou em relatório que Roberta "aparentemente tinha autorização" para representar Lulinha, citando diálogo em que ela diz "Eu sou o Fábio". A defesa de Lulinha não se manifestou até o momento por causa de viagem recente. O Ministério da Saúde afirmou que "nunca houve possibilidade de contratar cannabidiol".

Os advogados de Roberta alegam que a divulgação das informações prejudica as investigações e sugerem apuração de supostos vazamentos pelo Ministério da Justiça. Otto Medeiros não comentou, mas negou relação societária com o ministro a interlocutores.

Familiares do ministro também aparecem ligados ao escritório de Otto: a irmã Karine Nunes Marques e o filho Kevin de Carvalho Marques atuam em parceria com o advogado em processos judiciais. O vínculo entre Lulinha e Otto é anterior à negociação: o advogado defendeu o filho do presidente em ações tributárias e chegou a emprestar uma aeronave particular para um deslocamento entre Brasília e São Paulo, conforme a Folha de S.Paulo.

A minuta do contrato elaborada por Roberta previa remuneração de 20% do faturamento da empresa com a venda de produtos de cannabis para órgãos públicos, a ser dividida entre os envolvidos, de acordo com relatório da PF. A lobista buscou apoio no Ministério da Saúde e enviou o documento ao ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana, o Marcola, para tentar intermediar o acordo. Não há registros de que a proposta tenha avançado para outros órgãos federais.

Além de Roberta e Lulinha, participavam do projeto o empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, que criou uma empresa para atuar no mercado de cannabis medicinal, e o ex-assessor parlamentar Gustavo Gaspar. Nas conversas, Roberta recomendou Otto como advogado para o grupo e orientou Gaspar: "Mas você trate bem esse Otto. Ele é bem influente. Sócio do Cássio sabe".

Principais informações

  • PF encontrou mensagens indicando plano de lobista e Lulinha com 20% de lucro em negócio com o governo.
  • Conversas citam advogado Otto Medeiros, descrito como 'bem influente' e 'sócio do Cássio'.
  • Ministro Kassio Nunes Marques negou sociedade com Otto, mas confirmou amizade.
  • Ministério da Saúde disse que nunca houve possibilidade de contratar cannabidiol.
  • Minuta previa remuneração de 20% do faturamento com venda de cannabis a órgãos públicos.

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