OpenAI relata uso do ChatGPT por operações de influência da Rússia e do Irã

OpenAI relata uso do ChatGPT por operações de influência da Rússia e do Irã

A OpenAI divulgou na quinta-feira 8 um relatório sobre duas operações de influência que recorreram ao ChatGPT: uma com origem na Rússia, voltada a prejudicar a imagem da Ucrânia e a influenciar a política na América Latina, e outra do Irã, baseada em identidades falsas de jornalistas. As contas envolvidas nas duas operações foram bloqueadas.

Segundo o documento, o grupo russo atuava por meio de uma organização chamada Social Research Center (SRC), que mantinha site, funcionários e pesquisas próprias. O centro de estudos era administrado por meio de uma identidade fictícia, Mia Clark, e relatórios internos tratavam de decisões sobre salários, contratações e demissões.

Os funcionários locais entrevistavam especialistas e produziam estudos sem saber, conforme as evidências reunidas pela empresa, que trabalhavam para uma operação russa.

O ChatGPT era usado principalmente para elaborar balanços internos das atividades. Em determinadas situações, a ferramenta também auxiliava na produção de documentos falsificados, traduções e roteiros de áudio. O relatório, contudo, não afirma que toda a produção do centro de estudos fosse realizada com inteligência artificial.

As campanhas buscavam prejudicar a imagem da Ucrânia e influenciar a percepção pública sobre líderes latino-americanos, com publicações em redes sociais, falsos vazamentos e conteúdos divulgados pela imprensa. A OpenAI identificou falsificações que provocaram checagens de informações, desmentidos oficiais e manifestações de políticos, mas não comprovou que as campanhas tenham alterado decisões políticas ou resultados eleitorais.

A operação iraniana utilizava sete identidades fictícias que se apresentavam como jornalistas ocidentais, principalmente norte-americanos. Os perfis tinham nomes, biografias e contas em redes sociais e eram usados para assinar artigos e estabelecer contato com veículos de comunicação.

A empresa identificou quase cem artigos publicados ou republicados sob essas assinaturas em cerca de uma dúzia de veículos digitais, abrangendo o período de julho de 2025 a outubro de 2026 e tratando sobretudo de assuntos internacionais, geopolítica e acontecimentos no Oriente Médio. Um dos perfis, identificado como Ervin B. Hoskins, apresentava-se como escritor freelancer norte-americano, mas informações de transparência das redes sociais associavam suas contas ao Irã.

Os operadores usavam o ChatGPT para revisar os artigos, adaptá-los às exigências editoriais e preparar mensagens destinadas aos editores, além de comentários para publicação nas redes sociais. Esses comentários tiveram pouco engajamento, e o relatório não demonstra que as redações soubessem da verdadeira origem dos textos recebidos.

A OpenAI ressaltou que a circulação dos conteúdos não comprova, por si só, a eficácia das campanhas de influência. No caso russo, apontou inconsistências nos relatórios internos: os próprios operadores atribuíram ao grupo atividades que, segundo as verificações da empresa, não tinham relação com a campanha. As alegações de sucesso apresentadas pelos envolvidos, portanto, não podem ser consideradas resultados comprovados. A empresa informou que compartilhou informações sobre as duas operações com as autoridades competentes.

A OpenAI não apresentou evidências de coordenação entre os grupos, mas identificou o uso de inteligência artificial e de estruturas de fachada para esconder a origem dos conteúdos.

Principais informações

  • OpenAI divulgou relatório na quinta-feira 8 sobre duas operações de influência que usaram o ChatGPT.
  • Grupo russo administrava o Social Research Center na América Latina por meio da identidade fictícia Mia Clark, sem que os funcionários soubessem da origem da operação.
  • Campanhas russas visavam prejudicar a imagem da Ucrânia e influenciar a percepção sobre líderes latino-americanos.
  • Operação iraniana usou sete identidades falsas de jornalistas e quase cem artigos em cerca de uma dúzia de veículos digitais.
  • As contas foram bloqueadas e a OpenAI afirmou que a circulação dos conteúdos não comprova a eficácia das campanhas.

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