Lula e Andrei articularam com Dino a volta à PF sem avisar Fachin, diz Poder360

Lula e Andrei articularam com Dino a volta à PF sem avisar Fachin, diz Poder360

Na manhã desta quarta-feira (9.set.2026), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A decisão surpreendeu o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, que, segundo apuração do Poder360, não havia sido informado da articulação feita pelo Palácio do Planalto e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na terça-feira (8.set), Fachin passou o dia tentando construir uma saída institucional para a crise gerada pelo afastamento de Andrei, determinado pelo ministro André Mendonça. Enquanto isso, integrantes do governo já negociavam diretamente com Dino, indicado ao Supremo por Lula, para reverter a decisão de Mendonça.

Segundo a apuração, Andrei comunicou ao Planalto que recorreria ao STF com pedido de decisão diretamente a Dino, sem dar ciência a Fachin. Ainda na terça-feira, Lula e Andrei alinharam a estratégia para acionar Dino antes de qualquer posicionamento formal do presidente do STF.

Fachin havia dito a interlocutores que pretendia resolver a situação a partir de um recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) pedindo a reversão do afastamento. A última medida dele foi conceder três dias para Mendonça se manifestar sobre a própria decisão.

Na manhã desta quarta, ao menos quatro ministros do STF procuraram Fachin para saber se ele pretende barrar o despacho de Dino. Na avaliação deles, houve ilegalidade: Dino teria atropelado o procedimento instaurado pelo presidente da Corte, que conduz o recurso da AGU.

Ministros ouvidos na apuração avaliam que, sem reação de Fachin, Mendonça ficará enfraquecido diante da pressão de Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes. Esse grupo quer tirar de Mendonça a relatoria do caso Banco Master.

Publicamente, Fachin busca uma solução consensual para levar o caso Vorcaro-Moraes ao plenário. Na prática, porém, ele tem cedido ao Planalto e ao grupo de Gilmar, Dino e Moraes, que querem postergar definições para depois do período eleitoral de outubro de 2026, conforme já revelou o Poder360.

Aliados de Mendonça, como Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli, consideram que Fachin também ficará fragilizado se não reagir. A inércia, dizem, equivaleria a tomar partido e reduziria o próprio poder do presidente do STF. Até o final da manhã desta quarta, Fachin não havia se manifestado sobre o despacho de Dino.

Principais informações

  • Flávio Dino reintegrou Andrei Rodrigues à chefia da PF em 9 de setembro de 2026.
  • Fachin, presidente do STF, não foi avisado da articulação entre Lula, Planalto, Andrei e Dino.
  • Fachin havia dado três dias para Mendonça se manifestar sobre o afastamento de Andrei e planejava solução via recurso da AGU.
  • Ao menos quatro ministros do STF questionaram Fachin sobre a legalidade do despacho de Dino.
  • Sem reação de Fachin, Mendonça pode ficar enfraquecido; aliados veem risco para o próprio Fachin.

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