Lobista investigada pela PF teve projeto de R$ 336 mil aprovado na Lei Rouanet

Investigada pela Polícia Federal por tráfico de influência e corrupção, Roberta Luchsinger teve, há mais de uma década, um projeto de livro aprovado na Lei Rouanet no valor de R$ 336.085, durante o governo de Dilma Rousseff. A obra, porém, nunca chegou a ser publicada.
A proposta foi apresentada por uma editora ao Ministério da Cultura e publicada no Diário Oficial da União com o título provisório “Gastronomia em Verso e Prosa”. Segundo o resumo, o livro de arte uniria poesia, gastronomia e fotografia, com receitas saudáveis escritas de maneira poética e um ensaio fotográfico.
Os registros oficiais indicam que o projeto expirou entre novembro e dezembro de 2015 por excesso de prazo sem captação: a proponente não conseguiu reunir o valor mínimo necessário com patrocinadores dentro do prazo. O processo foi arquivado.
Entre 2013 e 2015, Roberta também ministrou aulas particulares de gastronomia em São Paulo, após afirmar que perdera 35 quilos sem cirurgia nem remédio.
Na investigação, a PF afirma haver evidências de que Roberta mantinha sociedade oculta com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Fernando Bittar para intermediar negócios privados junto ao governo. Em mensagens, ela dizia ter relação próxima com o presidente Lula e afirmava ter recusado um cargo no governo.
Em conversa com um empresário em 2024, Roberta disse que Lula a chamou para escolher onde queria ficar e que respondeu que preferia continuar na sociedade com Fábio e Fernando. Na última semana, em sabatina na TV Globo, Lula negou ter oferecido cargo a ela e a chamou de “pilantra”.
A PF também aponta que Lulinha articulava acesso ao Ministério da Saúde. Marcola, homem de confiança de Lula, agendou uma reunião entre Roberta e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo da pasta; o encontro só ocorreu após a interferência de Lulinha. Depois da reunião, Marcola recebeu a minuta de um documento que liberava a produção de medicamentos à base de canabidiol.
Entre fevereiro e novembro de 2024, Roberta pagou R$ 217.098 em contas pessoais de Marcola, como faturas de cartão de crédito, seguro, financiamento de carro e joias para a esposa dele. Marcola, que chegou a atender o celular do presidente, foi exonerado em julho passado por ordem de Lula; ele afirma que os valores eram parte de um empréstimo quitado, versão confirmada por Roberta.
Roberta também acumula ao menos R$ 1 milhão em impostos atrasados por meio de empresas das quais é sócia. Até o momento, Marcola não é formalmente investigado no inquérito.
Principais informações
- Projeto de livro de Roberta Luchsinger foi aprovado na Lei Rouanet por R$ 336.085, mas não captou recursos e foi arquivado.
- PF aponta sociedade oculta entre Roberta, Lulinha e Fernando Bittar para intermediar interesses privados no governo.
- Roberta dizia ter recusado cargo oferecido por Lula; presidente nega e a chama de “pilantra”.
- Roberta pagou R$ 217.098 em contas pessoais de Marcola, auxiliar de Lula, entre fevereiro e novembro de 2024.
- Lobista acumula ao menos R$ 1 milhão em impostos atrasados via empresas das quais é sócia.

