Governo arrecada R$ 10,4 bi em dividendos, 18,7% da previsão para 2026

Governo arrecada R$ 10,4 bi em dividendos, 18,7% da previsão para 2026

O governo federal arrecadou R$ 10,4 bilhões em dividendos de empresas estatais no primeiro semestre de 2026, o equivalente a 18,7% dos R$ 55,5 bilhões previstos pela equipe econômica para o ano. O montante representa uma queda real de 58% na comparação com o mesmo período de 2025, quando a União recebeu R$ 25 bilhões em valores corrigidos pela inflação.

O resultado abaixo do esperado levantou preocupação entre analistas sobre o risco de frustração dessa receita, que é vista como importante para o cumprimento da meta fiscal de 2026. Para alcançar a projeção anual, o governo precisaria obter cerca de R$ 45 bilhões no segundo semestre.

Integrantes do governo atribuem o desempenho a uma diferença no calendário de pagamentos e esperam uma concentração maior de dividendos nos próximos meses. O BNDES aprovou um repasse extraordinário de R$ 6,8 bilhões à União, referente a resultados de 2025; com a correção pelo período, o valor deve chegar a R$ 7,25 bilhões e ser pago até o fim de setembro.

O banco também mantém R$ 9,5 bilhões na reserva de equalização de dividendos, montante que pode ser usado para novos pagamentos ao governo em 2026. Em nota, o Tesouro Nacional afirmou que a estimativa de dividendos considera as informações disponíveis no momento da elaboração e é compatível com os resultados esperados das estatais e suas políticas de remuneração.

A Petrobras anunciou recentemente a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos, depois de registrar aumento do lucro no segundo trimestre, impulsionado pela valorização do petróleo. Desse total, cerca de R$ 5 bilhões devem ficar com a União. Em 2025, BNDES, Petrobras e Caixa Econômica Federal estavam entre os principais pagadores de dividendos ao governo.

Os repasses do BNDES à União passaram de R$ 10,4 bilhões em 2023 para R$ 29,5 bilhões em 2024 e recuaram para R$ 22,3 bilhões em 2025. Nos dois últimos anos, os valores incluíram pagamentos extraordinários: R$ 24,1 bilhões em 2024 e R$ 9,5 bilhões em 2025.

Principais informações

  • Arrecadação com dividendos somou R$ 10,4 bilhões no 1º semestre, 18,7% da meta de R$ 55,5 bilhões.
  • Valor é 58% menor que o do mesmo período de 2025, em termos reais.
  • Governo precisaria receber cerca de R$ 45 bilhões no 2º semestre para cumprir a previsão anual.
  • BNDES aprovou repasse extraordinário de R$ 6,8 bilhões, que deve chegar a R$ 7,25 bilhões até setembro.
  • Petrobras distribuirá R$ 17,4 bilhões em dividendos, com cerca de R$ 5 bilhões para a União.

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