Estrela apresenta plano de recuperação judicial com pagamento de dívidas em até 15 anos

Estrela apresenta plano de recuperação judicial com pagamento de dívidas em até 15 anos

A Estrela apresentou à Justiça de Minas Gerais um plano de recuperação judicial que prevê o pagamento dos débitos com credores em até 15 anos. O passivo concursal é de R$ 109,3 milhões, com desconto de até 90% sobre parte das dívidas.

A maior parte do passivo, 92,4%, está concentrada na Classe III, que reúne credores quirografários, como penhoras e hipotecas. O restante é composto por créditos trabalhistas e de pequenas e microempresas.

Para os credores trabalhistas, a proposta prevê pagamento integral em até 12 meses após a homologação do plano, respeitando o limite de 150 salários mínimos por credor. Já os credores das Classes III e IV teriam desconto de 90% sobre os valores devidos, com carência de 22 meses e pagamentos mensais durante os dois primeiros anos de supervisão judicial, seguidos de parcelas anuais até o 15º ano.

A empresa também criou uma alternativa para credores que continuarem fornecendo produtos ou serviços: eles poderiam receber integralmente os valores devidos, conforme condições vinculadas à concessão de crédito, à antecipação de recebíveis ou à retomada do fornecimento de insumos.

O passivo fiscal é maior, chegando a quase R$ 400 milhões. Para esse montante, a Estrela prevê o uso de mecanismos de negociação tributária e parcelamentos federais, além da manutenção de acordos já firmados.

O plano destina cerca de R$ 15,8 milhões ao pagamento dos créditos sujeitos à recuperação ao longo dos 15 anos. A companhia estima que o compromisso represente menos de 5% do resultado gerado e permita manter o caixa positivo.

A estratégia prevê a manutenção das duas fábricas, em Três Pontas (MG) e Itapira (SP), e a ampliação da atuação no mercado de colecionadores adultos, aproveitando a proximidade dos 90 anos da marca, em 2027. Também estão previstos o licenciamento de marcas para setores em que a companhia não atua diretamente e o uso da capacidade produtiva para fabricar brindes corporativos e prestar serviços de manufatura para terceiros.

O plano ainda considera a expansão da Editora Estrela Cultural, parcerias para financiar a importação de insumos e eventual venda de unidades produtivas isoladas. A empresa também avalia fechar o capital na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para reduzir custos regulatórios e administrativos.

O plano precisa ser negociado e aprovado pelos credores em assembleia. A homologação caberá à 1ª Vara Cível da Comarca de Três Pontas (MG).

Principais informações

  • Estrela propõe pagar dívidas em até 15 anos em recuperação judicial.
  • Passivo concursal é de R$ 109,3 milhões, com desconto de até 90%.
  • Credores trabalhistas teriam pagamento integral em até 12 meses.
  • Empresa prevê manter as duas fábricas e ampliar mercado de colecionadores.
  • Plano ainda depende de aprovação dos credores e homologação da Justiça.

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