Em artigo na Oeste, Alex Pipkin diz que antissemitismo trocou de justificativa e hoje se veste de ativismo

Em artigo na Oeste, Alex Pipkin diz que antissemitismo trocou de justificativa e hoje se veste de ativismo

A Sentido Horário publicou um artigo de opinião do consultor empresarial Alex Pipkin, PhD em Administração, no qual ele afirma que o antissemitismo não voltou, mas obteve um novo atestado de virtude para circular em público.

Segundo o autor, o preconceito contra judeus nunca exigiu que o judeu fosse culpado: bastou que cada época inventasse uma justificativa respeitável para o ódio. O que na Idade Média se apresentava sob a túnica da teologia e no século passado vestia a farda da biologia, escreve ele, hoje desfila com a camiseta do ativismo humanitário.

Pipkin sustenta que a doença é antiga e o álibi é que se moderniza. Na avaliação dele, esse discurso encontrou abrigo na militância juvenil e em sectários ideológicos, alimentados por slogans repetidos em redes sociais, e observa que história, geografia e geopolítica exigem estudo, enquanto o slogan exige apenas repetição.

O texto separa a crítica a governos israelenses e a suas operações militares, que o autor considera legítima, de atitudes que classifica como preconceito: responsabilizar judeus coletivamente, relativizar massacres conforme a bandeira ideológica dos assassinos, negar a Israel o direito de existir ou cobrar do Estado judeu uma pureza moral que, segundo ele, não é exigida de seus inimigos. Nesses casos, afirma, a geopolítica deixa de explicar e passa a servir de biombo para o preconceito.

O colunista argumenta que o antissemita nunca precisou de ideologia própria, porque aluga a narrativa disponível. Ele lembra que o judeu já foi acusado de ser banqueiro capitalista e conspirador comunista, cosmopolita sem pátria e nacionalista com pátria demais, condenado antes por não ter uma pátria e hoje por tê-la. As acusações se contradizem, diz, porque jamais foram a causa, apenas o álibi.

Para Pipkin, o figurino muda porque a nudez do preconceito ainda constrange, e hoje o discurso usa vocabulário acadêmico e aura de superioridade moral. Ele conclui que o antissemitismo nunca precisou de coerência, apenas de uma desculpa moralmente aceitável para continuar sendo o que sempre foi, e alerta que o mais perigoso acontece quando o álibi passa por virtude: quando o ódio recebe diploma, a barbárie entra para o currículo.

Principais informações

  • Alex Pipkin, PhD em Administração e consultor empresarial, assina artigo de opinião na Sentido Horário sobre antissemitismo.
  • Segundo o autor, o preconceito troca de justificativa a cada época: da teologia medieval à biologia do século passado e, hoje, ao ativismo humanitário.
  • Ele afirma que o discurso encontrou espaço na militância juvenil e em sectários ideológicos movidos por slogans de redes sociais.
  • O texto considera legítima a crítica a governos israelenses, mas classifica como preconceito responsabilizar judeus coletivamente ou negar a Israel o direito de existir.
  • Pipkin conclui que o antissemitismo nunca precisou de coerência, apenas de uma desculpa moralmente aceitável.

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