Delação de operador do INSS aponta ‘Careca’ como chefe e admite R$ 400 milhões em fraudes

O operador Maurício Camisotti, preso em São Paulo, confessou em delação premiada ter movimentado ao menos R$ 400 milhões em fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS e apontou Antônio Camillo Antunes, o “Careca do INSS”, como o orquestrador do esquema. A informação foi divulgada pela CNN Brasil na quinta-feira (27).
Camisotti já prestou mais de dez depoimentos à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Segundo o jornalista Elijonas Maia, a PF está satisfeita com o conteúdo e o acordo de colaboração está na fase final, com participação conjunta da PF e da PGR. O acordo será submetido ao STF, onde o ministro André Mendonça é o relator.
A primeira versão da delação, conduzida apenas pela PF, foi devolvida por Mendonça para ser refeita com a participação conjunta da PGR e da PF. Camisotti está detido desde setembro de 2025 e assinou, em abril deste ano, o primeiro acordo de delação relacionado ao roubo bilionário, quase um ano após a Operação Sem Desconto.
As informações inéditas fornecidas por Camisotti contribuíram para o indiciamento de 54 investigados, entre eles o próprio “Careca do INSS” e o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto. O delator não foi incluído nos relatórios policiais concluídos no início de agosto.
A CPMI do INSS estimou em R$ 7 bilhões a R$ 10,5 bilhões os lucros criminosos do esquema entre 2015 e 2025. O golpe envolveu 47 entidades associativas e sindicatos e teria lesado cerca de 10 milhões de aposentados e pensionistas. Órgãos de controle calcularam R$ 6,3 bilhões subtraídos de 4,1 milhões a 6 milhões de beneficiários entre 2014 e 2024.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), manifestou em abril a expectativa de que a delação tiraria o sono da cúpula do poder em Brasília. O vice da chapa presidencial de Flávio Bolsonaro cobrou que o delator revelasse políticos e autoridades envolvidos. Em março de 2026, Mendonça determinou a transferência de Camisotti da Penitenciária II de Guarulhos para a superintendência da PF em São Paulo, onde ele permanece por sua colaboração ativa.
Principais informações
- Maurício Camisotti confessou movimentação de R$ 400 milhões em fraudes contra o INSS.
- Delação aponta Antônio Camillo Antunes, o “Careca do INSS”, como orquestrador do esquema.
- Acordo de colaboração está em fase final e será analisado pelo STF, com relatoria de André Mendonça.
- Informações de Camisotti contribuíram para o indiciamento de 54 investigados, incluindo o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto.
- Esquema lesou milhões de aposentados; CPMI estima lucros de até R$ 10,5 bilhões.

