Déjà-vu: sensação de familiaridade é comum e pode exigir atenção em casos específicos

Déjà-vu: sensação de familiaridade é comum e pode exigir atenção em casos específicos

A impressão de que uma cena inédita já foi experimentada, conhecida como déjà-vu, é comum e está associada a processos de memória e reconhecimento, segundo o professor de Psiquiatria e Saúde Mental da Unoeste, Laerte Romualdo Santos.

O termo, que vem do francês e significa “já visto”, é classificado na medicina como um tipo de paramnésia, grupo de distorções da memória e do reconhecimento. Santos explica que o fenômeno surge quando uma situação parece familiar, mas a pessoa não identifica a lembrança que justificaria essa sensação.

De acordo com o professor, é como se o cérebro gerasse familiaridade diante de algo que, conscientemente, sabe ser novo. Estruturas do lobo temporal medial, ligadas à formação e à recuperação de memórias, participam desse mecanismo, mas ainda não há uma explicação única e definitiva para o déjà-vu.

Ele diferencia familiaridade de recordação: pode-se reconhecer uma cena como conhecida sem conseguir precisar quando ou onde ela foi vista. No déjà-vu, a sensação de reconhecimento aparece sem a recuperação de uma memória específica, o que ajuda a compreender o fenômeno.

Situações inéditas podem compartilhar elementos com experiências anteriores, como a organização dos objetos, o ambiente, uma sequência de acontecimentos ou aspectos emocionais. Essas semelhanças podem contribuir para a impressão de que o momento já foi vivido, mesmo sem uma lembrança concreta.

Uma revisão sistemática que reuniu 46 estudos estimou que cerca de 74% das pessoas saudáveis já passaram por um déjà-vu, segundo o docente. Na maioria dos casos, episódios ocasionais não são motivo de preocupação.

A atenção é indicada quando as experiências se tornam muito frequentes, repetitivas ou surgem com outros sintomas. O déjà-vu pode fazer parte de crises epilépticas focais, especialmente nas epilepsias do lobo temporal, acompanhado de medo súbito, alterações na percepção ou na consciência e outros sinais neurológicos.

O professor ressalta que a simples presença do déjà-vu não indica doença neurológica. Para ele, importam o contexto, a frequência, a duração, a intensidade e a existência de sintomas associados.

O tema também aparece em manifestações culturais e religiosas. Em tradições que creem em reencarnação, a experiência é vista como possível lembrança de vidas passadas; no filme Matrix, de 1999, o déjà-vu é mostrado como uma falha dentro de uma realidade simulada. Essas interpretações não constituem evidências científicas sobre a origem do fenômeno.

Principais informações

  • Déjà-vu é a sensação de familiaridade com uma situação nova, sem lembrança correspondente.
  • Estruturas do lobo temporal medial participam da memória e do reconhecimento.
  • Revisão com 46 estudos estimou que 74% das pessoas saudáveis já tiveram a experiência.
  • Episódios ocasionais não indicam doença; atenção é necessária quando são frequentes ou acompanhados de sintomas.
  • O fenômeno pode ocorrer em crises epilépticas focais, sobretudo do lobo temporal.

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