Dados oficiais contradizem falas de Lula no Jornal Nacional sobre PIB, déficit, fome e INSS

Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou versões sobre PIB, déficit fiscal, fome e INSS que entram em conflito com estatísticas oficiais. A entrevista também ocorreu em meio ao caso da lobista Roberta Luchsinger, sócia de seu filho Lulinha em negócios sob investigação da Polícia Federal.
Sobre o crescimento econômico, Lula disse que o PIB brasileiro só voltou a crescer 3% ou mais após seu retorno ao Palácio do Planalto, em 2023. O IBGE, contudo, registra altas de 3,9% em 2011 e de 3% em 2013, na gestão Dilma Rousseff, e de 4,8% em 2021 e 3% em 2022, no governo Jair Bolsonaro.
Na área fiscal, o presidente afirmou que herdou do governo anterior um déficit de 2,8% do PIB e prometeu superávit primário de 0,1% para este ano. Os dados oficiais mostram o oposto: a gestão anterior terminou com superávit e recursos em caixa; já em 2026, o déficit acumulado em doze meses ultrapassou R$ 140 bilhões, conforme o Tesouro Nacional.
Lula também declarou que 'acabou com a fome' no Brasil. No entanto, os indicadores apontam apenas uma redução na prevalência de subalimentação, o que não significa erradicação do problema.
Sobre o escândalo do INSS, o presidente tentou localizar a origem da quadrilha em 2019. Provas e depoimentos colhidos pela CPMI do INSS, porém, mostram que os desvios começaram em governos anteriores e que o esquema se expandiu após a posse de Lula, em janeiro de 2023.
Os negócios milionários envolvendo Roberta Luchsinger e Lulinha, realizados ou articulados durante o atual governo, permanecem sob apuração da Polícia Federal.
Principais informações
- Lula disse que o PIB só voltou a crescer 3% após sua posse, mas o IBGE registra altas de 3,9% em 2011, 3% em 2013, 4,8% em 2021 e 3% em 2022.
- O presidente afirmou que herdou déficit de 2,8% do PIB, mas a gestão anterior terminou com superávit; o déficit atual já soma mais de R$ 140 bilhões.
- Lula disse que acabou com a fome, mas os indicadores mostram apenas redução da subalimentação.
- Sobre o INSS, o presidente localizou o início da quadrilha em 2019, mas a CPMI aponta que os desvios começaram antes e se ampliaram após 2023.

