Casas Bahia, Marabraz e Estrela pedem recuperação judicial em cenário de inadimplência recorde

Os pedidos de recuperação judicial de Casas Bahia, Marabraz e Estrela, feitos na mesma semana, são o sintoma mais recente da deterioração econômica do país. O cenário soma juros altos, inflação persistente e endividamento recorde de famílias e empresas.
Pesquisa da Serasa Experian mostra que 53% dos trabalhadores brasileiros terminam o mês sem pagar todas as despesas. No ano anterior, eram 54%. Délber Lage, diretor da empresa, diz que a dificuldade não é pontual e pode levar a buscar renda extra ou financiar gastos do dia a dia.
Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o peso do Oriente Médio explica a alta de preços. O Orçamento, porém, permite gastos extras aprovados por Congresso e STF, inflando as contas.
A dívida bruta do governo geral chegou a R$ 10,8 trilhões (81,9% do PIB), segundo o Banco Central. O mercado projeta mais de 100% do PIB até 2032.
O excesso de gastos pressiona os juros: a Selic subiu de 2%, em 2020, para 14%, em 2026. O crédito fica mais caro para todos.
A inadimplência bateu recorde em julho: quase 84 milhões de pessoas devem, em média, R$ 7 mil. Há ainda 9 milhões de CNPJs negativados, com dívidas de R$ 230 bilhões.
Casas Bahia, Marabraz e Estrela entraram com recuperação judicial na mesma semana, numa onda histórica. Para o Banco Genial, o ciclo de deterioração continua: 2027 deve ser de desaceleração, com câmbio ruim e pressões de eleições e El Niño.
Yihao Lin, do Banco Genial, lembra o cenário de 2015, quando subsídios artificiais levaram à recessão. A saída, diz, é o ajuste fiscal, com previsibilidade e segurança jurídica para atrair investimentos.
Helena Ribeiro, 46, resume o aperto: o salário não cobre o básico, e o quilo do patinho subiu de R$ 35 a R$ 45, em 2022, para R$ 60. Para ela, a economia deve pesar nas eleições.
Especialistas veem o ajuste fiscal como questão de sobrevivência para a economia. Enquanto não houver contenção de gastos, a recomendação é cautela.
Principais informações
- 53% dos trabalhadores brasileiros não conseguem pagar todas as contas no fim do mês.
- Dívida pública alcança R$ 10,8 trilhões, ou 81,9% do PIB.
- Quase 84 milhões de brasileiros estão endividados, com valor médio de R$ 7 mil.
- Casas Bahia, Marabraz e Estrela entram com recuperação judicial na mesma semana.
- Economistas apontam risco de desaceleração em 2027 e comparam cenário ao de 2015.

