Após foto com gesto do L, congregação troca a direção de colégio em Criciúma

Após foto com gesto do L, congregação troca a direção de colégio em Criciúma

A Congregação Rogacionista pediu desculpas e substituiu o comando do Colégio Rogacionista Pio XII, em Criciúma, no sul de Santa Catarina, depois que circulou uma foto de quatro padres fazendo o gesto conhecido como L, associado ao presidente Lula. A escola também publicou nota na qual afirma não ter vínculo político-partidário.

A imagem é uma selfie tirada em uma sala com crucifixo na parede. Nela, os quatro religiosos aparecem sorrindo, com roupas comuns e uma das mãos erguida no gesto. Um deles segura uma garrafa verde, que nas redes sociais foi tratada como cerveja. Os comunicados não esclarecem onde nem quando o registro foi feito. A congregação afirma apenas que a repercussão começou no domingo do segundo turno, 25 de outubro, data em que Lula foi reeleito.

O texto assinado pela Direção Pedagógica cita nominalmente apenas o padre Robson, confirmado como diretor com atuação na área administrativa. Os outros três religiosos não são identificados. A nota sustenta que o projeto pedagógico é formulado pela equipe de educadores e que a posição de um integrante não representa a instituição, independentemente do cargo que ocupe. A escola diz ainda não aceitar o uso de sua imagem em manifestações político-partidárias e encerra com a frase “Nossa bandeira é e continuará sendo a EDUCAÇÃO”.

Em um segundo comunicado, o superior provincial, padre Valmir de Costa, pede desculpas caso alguma manifestação pública de religiosos da congregação tenha provocado desconforto ou ofensa. O texto afirma que a intenção não é ofender, constranger ou alimentar divisões e declara a congregação apartidária. A nota informa que o padre Ademar Tramontin, diretor-presidente da Associação Rogacionista de Educação e Assistência Social (AREAS), passa a dirigir a escola e fica à disposição para conversar com famílias, profissionais e a comunidade. Não há indicação de que a mudança seja definitiva nem de que o padre Robson tenha deixado o cargo, e nenhum dos dois textos traz declarações dele.

Nas redes sociais do sul do estado, o caso teve grande alcance. Uma publicação de uma página regional de notícias no Facebook reunia mais de 5,8 mil reações, 7 mil comentários e 1,8 mil compartilhamentos até a noite deste domingo (1º). Em outra postagem, no Instagram, eram mais de 800 curtidas e 600 comentários.

Entre os comentários analisados, houve quem estranhasse a cena de padres com cerveja fazendo o gesto, lembrando que a Igreja condena o aborto e o comunismo, e quem negasse a eles o título de padres. Um comentário cobrou mais segurança para os pais, por se tratar de escola particular, e outro relatou afastamento da igreja por causa de episódios como esse. Também apareceram brincadeiras, como a de que o L seria de livros e a que mencionava o décimo terceiro do dízimo. Defensores dos religiosos falaram em democracia e soberania do país: “Deixa eles serem felizes, isso é Democracia”, escreveu um perfil no Instagram. Uma postagem compartilhada por vários perfis cobrou posicionamento da Diocese de Criciúma, que até a noite de domingo não havia se manifestado.

Segundo dados do TSE, Criciúma deu 70,52% dos votos válidos a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, 85.964 votos, contra 29,48% de Lula, 35.944. O episódio ocorre na mesma semana em que listas de boicote a comerciantes apontados como eleitores de Lula se espalharam por Santa Catarina, assunto que chegou à tribuna da Alesc e levou o dono de um restaurante de Tubarão a chorar em vídeo.

O Código de Direito Canônico, que rege a Igreja Católica, veda em regra que clérigos tomem parte ativa em partidos políticos. Nenhuma das duas notas menciona essa regra nem trata de punições. O Colégio Rogacionista funciona em Criciúma desde 1959, no bairro Pinheirinho, e o espaço segue aberto para manifestação dos religiosos citados.

Principais informações

  • Congregação Rogacionista pediu desculpas após foto de quatro padres fazendo o gesto do L viralizar
  • Padre Ademar Tramontin passa a dirigir o Colégio Rogacionista Pio XII, em Criciúma
  • Nota do colégio afirma que a instituição não tem lado político-partidário e que a opinião de um integrante não a representa
  • Comunicado pede desculpas por eventual desconforto, declara a congregação apartidária e não define se a mudança na direção é definitiva
  • Publicação regional no Facebook somava mais de 5,8 mil reações e 7 mil comentários até a noite de domingo (1º)

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