Aliados de Kassab defendem voto distrital misto após votação expressiva de deputados de internet

Aliados de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, passaram a reforçar a defesa da aprovação do voto distrital misto nas eleições legislativas brasileiras. Entre integrantes do partido, a avaliação é que a votação expressiva dos chamados "deputados de internet" no pleito deste ano aumentou a urgência de se discutir uma mudança no modelo proporcional em vigor.
De acordo com correligionários, esses parlamentares têm base eleitoral mais ligada ao ambiente digital do que a uma região ou comunidade específica. Nikolas Ferreira (PL) e Lucas Pavanato (PL) alcançaram três milhões de votos cada um.
Um aliado próximo a Kassab afirma que o cenário atual prejudica quem tem voto regional: "Hoje todo mundo que tem voto regional é prejudicado. Não há um vinculação com a base eleitoral. Os parlamentares estão preocupados. O voto distrital misto organiza o campo da representação e fortalece os partidos".
A proposta é uma bandeira antiga do dirigente do PSD. Segundo correligionários, porém, cresceu o sentimento de que a alteração se tornou mais urgente por causa do perfil dos deputados mais votados neste pleito.
Um projeto de lei sobre o tema tramita no Congresso Nacional desde 2017, apresentado pelo então senador José Serra (PSDB). Depois de ser aprovado no Senado, o texto ficou parado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. O relator é o deputado federal reeleito Domingos Neto (PSD-CE).
Neste ano, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), chegou a sinalizar que o texto avançaria para o plenário e já fez declarações favoráveis à proposta. "Retomamos a discussão sobre a reforma política com voto distrital misto. O modelo traz economia de recursos, com campanhas mais baratas, e políticos mais próximos da população", disse Motta em publicação nas redes sociais em abril.
Na prática, o texto altera as regras de eleição de deputados federais, estaduais e distritais, além de vereadores. Metade da bancada seria eleita entre os mais votados de distritos predeterminados, e a outra metade sairia do voto proporcional do estado.
Os defensores da ideia afirmam que o modelo atual, o sistema de lista aberta, fragmenta a disputa entre milhares de concorrentes. Segundo eles, isso dificulta a identificação com as bases e os territórios e a fiscalização da atuação parlamentar. Com isso, argumentam, o sistema vigente acaba favorecendo candidatos com grande alcance nas redes sociais em detrimento de parlamentares com atuação local consolidada.
Principais informações
- Aliados de Kassab defendem a aprovação do voto distrital misto nas eleições legislativas
- A votação expressiva dos deputados de internet aumentou a urgência da discussão, segundo o partido
- Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, ambos do PL, alcançaram três milhões de votos cada um
- O projeto tramita desde 2017, foi apresentado por José Serra e está parado na CCJ da Câmara
- Hugo Motta já sinalizou que o texto pode avançar para o plenário

