Nunes Marques mantém no ar posts da campanha de Lula que chamam Flávio Bolsonaro de “traidor da pátria”

Nunes Marques mantém no ar posts da campanha de Lula que chamam Flávio Bolsonaro de “traidor da pátria”

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, decidiu em liminar manter no ar duas publicações do site oficial da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva que classificam o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) como “traidor da pátria” e “protagonista do maior escândalo de corrupção da história”. Nunes Marques também integra o Supremo Tribunal Federal.

Dos três conteúdos contestados, o magistrado indeferiu o pedido de remoção de dois e ordenou a exclusão de um terceiro, que associava a trajetória do candidato a “rachadinha, milícia e corrupção”. A deliberação ainda passará pelo plenário do TSE, que poderá referendá-la ou revisá-la.

A ação foi movida por Flávio Bolsonaro contra Lula, o candidato a vice Geraldo Alckmin e a coligação Brasil Pronto pra Mais. Os advogados do candidato do PL contestaram três publicações hospedadas no site “O Pior dos Bolsonaros”, registrado em nome da campanha petista, e sustentaram que os materiais difundiam fatos “sabidamente inverídicos ou gravemente descontextualizados”, com o objetivo de vinculá-lo a práticas criminosas.

Uma das páginas questionadas trazia o título “Flávio: Protagonista do maior escândalo de corrupção da história” e relacionava o candidato ao caso Banco Master, a Daniel Vorcaro e a negociações envolvendo o financiamento do filme Dark Horse.

A defesa de Flávio alegou que a conversa com Vorcaro dizia respeito a um possível patrocínio e não comprovava qualquer envolvimento nas supostas fraudes sob investigação.

Nunes Marques avaliou que existiam elementos factuais suficientes para que as tratativas entre Flávio e Vorcaro fossem exploradas no contexto do debate eleitoral. Na visão do ministro, ainda que o título seja “severo e nitidamente desfavorável ao candidato”, a publicação, analisada em sua integralidade, não imputa de modo objetivo a ele participação nas fraudes do banco.

“A formulação funciona, no contexto da matéria, como síntese argumentativa e depreciativa construída a partir dos acontecimentos narrados”, escreveu o ministro. “Pode ser reputada exagerada ou politicamente ofensiva, mas essas características, por si sós, não permitem reconhecer, em sede liminar, falsidade manifesta.”

A decisão ocorre em um momento de crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais frente a Lula. A campanha petista tem usado o site para traçar críticas diretas ao adversário, estratégia que agora conta com o respaldo parcial do presidente do TSE, ao menos nas menções de “traidor da pátria” e no vínculo com o caso Master. Já a remoção do conteúdo que associava a trajetória de Flávio a “milícia e corrupção” representa uma vitória pontual para a campanha do candidato do PL, embora a maior parte do material permaneça disponível ao eleitor.

Principais informações

  • Nunes Marques indeferiu a remoção de dois dos três conteúdos contestados pela campanha de Flávio Bolsonaro.
  • O ministro ordenou a exclusão apenas da publicação que associava a trajetória do candidato a “rachadinha, milícia e corrupção”.
  • A ação foi movida por Flávio contra Lula, Geraldo Alckmin e a coligação Brasil Pronto pra Mais, por publicações no site “O Pior dos Bolsonaros”.
  • Para o ministro, o título é severo e desfavorável, mas não imputa de forma objetiva participação nas fraudes do caso Banco Master.
  • A liminar ainda depende de referendo ou revisão pelo plenário do TSE.

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