Papa Leão XIV critica em Paris uso da ciência voltado ao lucro

O papa Leão XIV criticou nesta sexta-feira, 25, o uso da ciência e da tecnologia com foco exclusivo no lucro. Em discurso no Palácio do Eliseu, em Paris, o pontífice afirmou que a consciência e o respeito à dignidade humana devem orientar esses avanços. A declaração marcou o primeiro dia de sua visita de quatro dias à França.
Segundo Leão XIV, a ciência e a tecnologia podem contribuir para melhorar a vida das pessoas, mas há riscos quando esses recursos deixam de ser orientados para o bem. Ele afirmou que algumas sociedades correm o risco de transformar esses campos em “empreendimentos lucrativos”.
No discurso, o papa citou entre os exemplos que considera preocupantes a manipulação genética, a barriga de aluguel, o tráfico de órgãos e a chamada “oferta de uma morte programada”. Para ele, a busca por soluções imediatas para o sofrimento pode levar a decisões que se afastam do bem humano. O pontífice também disse que a proteção da vida deve ser responsabilidade de todos e defendeu que o desenvolvimento científico venha acompanhado de reflexão sobre os limites dessas tecnologias e seus efeitos sobre as pessoas.
A fala ocorre em meio ao debate na França sobre a eutanásia e o suicídio assistido.
Leão XIV também abordou os impactos da inteligência artificial. Segundo o pontífice, o avanço tecnológico precisa preservar a liberdade, e ele citou a preocupação com um possível “paraíso das máquinas”, expressão usada pelo escritor francês Georges Bernanos. Para ele, a sociedade precisa desenvolver critérios éticos capazes de diferenciar os avanços que contribuem para o bem daqueles que podem causar danos.
O tema ocupa espaço central no pontificado de Leão XIV. Em maio, o Vaticano publicou a encíclica Magnifica Humanitas, que trata dos impactos da inteligência artificial, da robótica e da digitalização. No documento, o papa defende que a tecnologia seja avaliada a partir de seus efeitos sobre a dignidade humana, o bem comum e os grupos mais vulneráveis.
O presidente francês, Emmanuel Macron, também se manifestou sobre o assunto e defendeu a criação de uma “organização internacional” para garantir que os “modelos mais avançados” de IA não acabem “nas mãos de poucos”.
A visita à França começou nesta sexta-feira e seguirá até 28 de setembro. Depois de Paris, o pontífice passará por Lourdes e Metz. A programação inclui uma missa na Catedral de Notre-Dame e uma celebração para milhares de fiéis na Praça da Concórdia, além de encontros com autoridades políticas, representantes da sociedade civil e religiosos.
Principais informações
- Papa Leão XIV criticou o uso da ciência e da tecnologia com foco exclusivo no lucro, em discurso no Palácio do Eliseu, em Paris.
- O pontífice citou manipulação genética, barriga de aluguel, tráfico de órgãos e a “oferta de uma morte programada” como exemplos preocupantes.
- A declaração ocorreu no primeiro dia de uma visita de quatro dias à França, em meio ao debate sobre eutanásia e suicídio assistido.
- Leão XIV alertou sobre os impactos da inteligência artificial e mencionou a expressão “paraíso das máquinas”, de Georges Bernanos.
- Em maio, o Vaticano publicou a encíclica Magnifica Humanitas, sobre IA, robótica e digitalização.

