Estudo indica que cães identificam limites de palavras na fala por sons consonantais

Estudo indica que cães identificam limites de palavras na fala por sons consonantais

Um estudo publicado na revista Science nesta quinta-feira (25) aponta que o cérebro de cães consegue identificar e separar os limites entre palavras em um fluxo contínuo de som usando sons consonantais. A pesquisa foi liderada por cientistas da Universidade Eötvös Loránd (ELTE), na Hungria. Até então, essa capacidade de segmentar a fala era atribuída exclusivamente a seres humanos.

Para investigar como espécies diferentes reagem ao ritmo da comunicação verbal, os pesquisadores compararam 20 humanos e 20 cães de companhia. Os dois grupos participaram de experimentos com fluxos de fala não segmentada, sem as pausas naturais do cotidiano e sem pistas acústicas que separassem as palavras de forma evidente. Nos testes, consoantes e vogais se alternavam ao longo dos fluxos sonoros.

A equipe usou dispositivos especiais com eletrodos para registrar a atividade elétrica cerebral. O objetivo era comparar as respostas cerebrais de humanos e cães diante da fala. Os resultados mostraram semelhanças cerebrais significativas entre as duas espécies.

Quando os fluxos eram estruturados em consoantes, o cérebro dos cães se sincronizou com o ritmo das palavras, de forma análoga ao que ocorre no cérebro humano. A resposta foi mais intensa nesses fluxos de consoantes do que nos baseados apenas em vogais ou nos fluxos de controle.

A coautora principal do estudo, Kinga G. Tóth, destacou que esse é o primeiro indício de que uma preferência por consoantes pode surgir no cérebro de uma espécie diferente da humana. Segundo a pesquisa, o processamento da fala não depende necessariamente de habilidades linguísticas complexas como as do Homo sapiens.

Os achados também sugerem que o ambiente pode impactar o sistema nervoso. De acordo com os pesquisadores, a exposição regular à fala teria o poder de remodelar o funcionamento cerebral, inclusive em espécies evolutivamente distantes dos humanos, como os cães. A convivência com a linguagem humana pode adaptar o cérebro de animais domésticos.

O ritmo e a estrutura das palavras geram uma resposta biológica específica, segundo o estudo. A capacidade de segmentação sonora demonstra uma adaptação biológica ao meio social em que os animais estão inseridos. A pesquisa abre caminho para novas investigações sobre cognição animal e plasticidade cerebral.

Principais informações

  • Estudo publicado na Science investigou como humanos e cães processam fluxos de fala.
  • Cães sincronizaram o cérebro ao ritmo das palavras quando o fluxo era estruturado em consoantes.
  • Resposta foi mais intensa em fluxos de consoantes do que em vogais ou controles.
  • Pesquisa foi liderada pela Universidade Eötvös Loránd, na Hungria, com 20 humanos e 20 cães.
  • Achado sugere que a exposição à fala pode remodelar o cérebro e não é exclusividade humana.

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