Mulher confessa ter envenenado cães e gatos em Paulicéia após ataques a aves de criação

Mulher confessa ter envenenado cães e gatos em Paulicéia após ataques a aves de criação

A Polícia Civil esclareceu nesta quinta-feira (24) um caso de suspeita de envenenamento de animais domésticos em Paulicéia, no interior de São Paulo. Uma mulher de 42 anos foi identificada, compareceu à delegacia e admitiu ter colocado veneno para ratos em pequenos pedaços de carne deixados sobre o muro de sua propriedade. Dois dos quatro animais intoxicados morreram.

As apurações começaram na segunda-feira (21), quando a tutora de dois cães e dois gatos registrou boletim de ocorrência. Segundo ela relatou, os quatro animais, todos adultos, apresentaram quadro de possível intoxicação depois de ingerir alimentos e foram encaminhados a atendimento veterinário de emergência.

A médica veterinária responsável pelo atendimento informou à polícia que os pets chegaram em caráter emergencial com quadro compatível com intoxicação aguda, marcado por espasmos musculares, episódios convulsivos, hipersalivação, vômitos e diarreia.

Duas cadelas receberam tratamento emergencial. Uma delas sofreu parada cardiorrespiratória e morreu, enquanto a outra permaneceu internada para monitoramento e suporte clínico. Um dos gatos também não resistiu. O outro felino foi liberado após o atendimento e segue em recuperação na casa da tutora.

Durante o trabalho de campo, os policiais localizaram em um lote vazio do bairro Aquários 1 pedaços de carne e embutidos depositados sobre um dos muros do terreno. O material apresentava sinais de contaminação por uma substância de aspecto granulado que, inicialmente, aparentava ser o produto conhecido como “chumbinho”. Cerca de 80 gramas foram apreendidos, acondicionados em embalagem lacrada e encaminhados ao Instituto de Criminalística para exames periciais.

Em sua versão à polícia, a mulher afirmou ter adquirido veneno destinado ao combate de ratos e colocado o produto, de coloração rosa, em pequenos bolinhos de carne deixados no muro de sua propriedade. Segundo declarou, tomou a medida após episódios sucessivos envolvendo as aves que cria no quintal — conhecidas como garnisés, angolinhas e moderninhas —, atacadas diversas vezes por gatos. Ainda conforme seu relato, nessas ocorrências as aves fugiam e depois eram mortas por cães e gatos. Ela disse estar arrependida da conduta.

A Polícia Civil prossegue na análise do material apreendido e dos demais elementos de prova para o completo esclarecimento dos fatos e eventual responsabilização criminal. Em tese, os fatos poderão caracterizar o crime previsto no artigo 32 da lei federal nº 9.605/1998, a Lei de Crimes Ambientais, definição que dependerá da análise do conjunto probatório e das circunstâncias apuradas.

A corporação ressalta que maus-tratos contra animais constituem crime. Quando a conduta é praticada contra cães ou gatos, o parágrafo 1º-A do mesmo artigo prevê pena de reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda, com aumento de pena em caso de morte do animal.

Sobre a substância popularmente chamada de “chumbinho”, a Polícia Civil alerta que sua identificação e o eventual enquadramento jurídico dependem da natureza e da origem do produto, que deverão ser esclarecidas pelos exames periciais e demais elementos das investigações.

Principais informações

  • Mulher de 42 anos confessou ter usado veneno para ratos em pedaços de carne no muro de casa, em Paulicéia (SP)
  • Quatro animais — dois cães e dois gatos — apresentaram intoxicação; uma cadela e um gato morreram
  • Cerca de 80 gramas de material com aspecto de “chumbinho” foram apreendidos e enviados ao Instituto de Criminalística
  • A suspeita afirmou que agiu após ataques repetidos de gatos às aves que cria no quintal e disse estar arrependida
  • A polícia apura possível enquadramento no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais, que prevê reclusão de dois a cinco anos para maus-tratos a cães e gatos

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