PT corta verbas e Haddad fica 20 pontos atrás de Tarcísio em São Paulo

A duas semanas da eleição, a campanha do PT em São Paulo enfrenta crise interna: Fernando Haddad aparece 20 pontos atrás de Tarcísio de Freitas, e Lula está em desvantagem no estado diante de Flávio Bolsonaro.
Conforme a pesquisa Real Time Big Data, Haddad supera Tarcísio na capital e empata na região metropolitana, mas perde no interior — no oeste paulista, o governador chega a 57%. Os atos de Lula e Haddad em São José do Rio Preto e Barretos, batizados de caravana caipira, não tiveram resultado expressivo, segundo políticos da esquerda local. Um militante afirmou que nem a promessa do novo campus da UFSCar, com 4.000 a 5.000 alunos, rende elogios no interior, só o velho ódio contra o PT.
Em várias cidades, eleitores dizem votar em Lula para presidente e preferir Tarcísio para governador, combinação apelidada de TarLula nos bastidores.
Em 2022, Haddad chegou ao segundo turno com 45% dos votos, mesmo percentual de Lula em São Paulo. Agora, Tarcísio soma 49% e pode ser reeleito já em 4 de outubro. O resultado é visto na esquerda como potencialmente fatal para a reeleição de Lula, pois o estado concentra 21% dos votantes e a expectativa é de vitórias menos folgadas no Nordeste.
Dentro da campanha, aliados e militantes criticam a postura de derrota e a mobilização voltada a eleitores já simpáticos ao partido. Diretórios municipais estariam mais focados em eleger deputados que em fortalecer Haddad, que resistiu antes de aceitar a missão determinada por Lula e nunca liderou as sondagens. Com apenas dois candidatos competitivos, o primeiro turno ganhou dinâmica de rodada final.
O PT cortou repasses à campanha, e a equipe de Haddad demitiu integrantes do marketing e interrompeu o impulsionamento de conteúdo nas redes. O marqueteiro Otávio Antunes confirmou parcialmente os bloqueios: Houve uma determinação do diretório nacional para cortar despesas. Os cortes me obrigaram até a demitir gente da minha equipe. Segundo o TSE, o partido transferiu 15 milhões de reais do fundo eleitoral ao projeto de Haddad, com gastos de 12,28 milhões até o momento; cerca de 6,5 milhões foram para a Urissanê Comunicação, agência de Antunes.
A disputa pelo Senado também é afetada. Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) apareciam como favoritas, mas o Datafolha da última semana aponta empate quádruplo: 13% para cada, 11% para André do Prado (PL) e 10% para Guilherme Derrite (PP), dentro da margem de erro de 2 pontos. Sem reação de Haddad, o risco é arrastar as aliadas.
Principais informações
- Haddad aparece 20 pontos atrás de Tarcísio nas pesquisas em São Paulo, e Lula está em desvantagem no estado diante de Flávio Bolsonaro.
- Haddad lidera na capital e empata na região metropolitana, mas Tarcísio chega a 57% no oeste paulista.
- O PT cortou repasses à campanha, que demitiu integrantes do marketing e interrompeu o impulsionamento de conteúdo nas redes.
- O partido transferiu 15 milhões de reais do fundo eleitoral ao projeto de Haddad, com gastos de 12,28 milhões até o momento.
- Datafolha registra empate quádruplo na disputa ao Senado em São Paulo, com Marina Silva e Simone Tebet em 13% cada.

